Primeira Temporada - episódio 10
Segundas-feiras sempre são entediantes. Principalmente quando não se tem nenhum motivo para frequentar as aulas. Quando se perdeu tudo o que lhe importava. Quando só lhe resta o seu futuro ainda não escrito.
Cássio não queria pensar no seu futuro. Para ele, sua vida poderia acabar naquele momento.
Morrer virou rotina. Morrer. Não se sentir vivo. Não se sentir no mundo, em seu corpo. A morte virou rotina.
E ele se acostumou bastante com essa situação.
A única que ele ainda não conseguia encarar de cara era a ideia de estar sozinho no mundo, com apenas dezesseis anos. Ninguém puxando o seu saco, ninguém lhe mandando fazer as coisas. Ninguém tomando conta dele.
Assim que ele chegou na sala, ele se sentou e percebeu a falta de Beatrice no primeiro tempo, no segundo tempo, no terceiro tempo...
Ele ficou sozinho no recreio e durante o resto do dia.
Após as aulas, ele resolveu ir na casa de Bea, saber por que ela tinha faltado.
Ela atendeu com a cara cansada, abrindo a porta com os olhos marcados por olheiras enormes, mas assim que viu que era ele, algo aconteceu dentro dela. Algo diferente.
Eles estavam se tornando amigos.
Sua maquiagem estava borrada, seu coração pulando forte para fora de seu peito e ela arregalou os olhos.
__ Oi... __ ele disse levando a mão a cabeça e a coçando meio que distraído.
Beatrice adorava isso. E os homens nunca percebiam que isso era sexy.
__ O-oi... __ ela gaguejou e encostou no batente da porta.
__ O que houve pra você faltar a aula hoje?
__ Nada de mais. Só não quis ir.
__ E me deixou lá sozinho, né... Você ainda tem que me explicar aquele negócio de terreno...
Bea estava tão envergonhada vendo a sinceridade e a ingenuidade de Cássio que nem sabia o que falar.
__ Ah, para com isso... eu te explico depois. Planos para hoje de tarde?
__ Nenhum. Vamos... sair pra conversar?
O coração de Beatrice pulou e ela nem sabia o que estava acontecendo com ela. Uma amizade forte estava se formando.
__ Terrenos, né... eu sei que você quer saber mais sobre a minha religião. É um segredo até para mim.
Cássio riu e coçou de novo a nuca, abaixando a cabeça.
Após Cássio esperar Bea se arrumando para sair, eles seguiram para A pedra.
Cássio percebeu que Bea também adorava aquele lugar.
Eles sentaram lá e começaram a conversar. O que Cássio achava estranho em Beatrice virou mistério total. Tudo mudou quando ele percebeu que ela era dócil quando queria. E ainda bem que ela estava querendo. Cássio estava precisando muito de um ombro amigo.
__ Sabe do que eu costumava te chamar no meu subconsciente?
Bea riu com a pergunta arriscada.
__ Olha... eu diria que não quero saber, porque agora tudo mudou, principalmente nosso ponto de vista de um para o outro, mas do jeito que eu sou curiosa, me diz logo senão eu te jogo do precipício.
Cássio riu.
__ Você não vai gostar... mas já que você me jogaria do precipício... eu te chamava de vampirinha do inferno.
Bea ficou emburrada, mas logo entendeu que Cássio não falou por mal.
__ Por causa dos meus piercings? Das minhas tatuagens? Minhas roupas pretas e escuras? Minha maquiagem negra?
__ Isso e as suas atitudes.
Bea voltou a rir. Chegou a gargalhar.
__ Eu te assustei no seu primeiro dia de aula, né?
Ela continuou rindo.
Eles conversaram bastante. Bea não mencionou mais nada sobre as coisas terrenas, mas a amizade deles cada vez mais se fortificava e Cássio sabia que um dia ela desabafaria sobre isso.
Após cansarem de gastar saliva e ficarem só ali admirando a vista, Bea olha o relógio no pulso de Cássio e tomba para trás.
__ Tenho compromissos __ diz ela após deitar no chão gramado.
__ Por que você não vai cumprí-los, então?
__ Não to afim, sabe como é, né... Revelações, e tals...
Ao mesmo tempo que ela parecia relaxada, parecia intrigada, com medo, reservada.
__ Quer que eu vá com você?
__ Você iria?
Ela levantou e sorriu para Cássio que ficou tímido e tirou a mão de cima da barriga de Beatrice, do braço do qual ela havia checado as horas.
__ Bem...
__ Não, deixa pra lá, eu não posso ficar mandando você fazer as coisas comigo, muito menos ficar colocando você assim na minha vida... eu não quero irritar nem incomodar você com a minha ladainha ridícula. Desculpa.
Ela novamente encostou a cabeça no ombro de Cássio.
__ Eu não ligo de entrar na sua vida rapidamente. Você sabe que já invadiu a minha.
Ela sorriu mas sem deixar com que Cássio visse.
__ Cas... posso te chamar assim?
__ Pode, claro. E eu, te chamo de quê?
Bea pensou bastante.
__ Vampirinha do inferno tá bom...
Sinopse
A história se passa numa cidadezinha da Itália, chamada Senilla. Uma cidade presa entre montanhas e o mar, com nenhuma ligação com outra cidade, a não ser andando três horas inteiras de carro ou navio. Lá, encontra-se o melhor hospital da Itália para o tratamento de doenças raras, chamada Síndrome de Turner e Síndrome de Noonan. E é com a viagem de Cássio e sua mãe para lá, em busca de um tratamento, que se inicia a história emocionante de O sacerdote.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Enterro dos milagres
Primeira Temporada - episódio 9
Beatrice chegou bem na hora que ela combinou com Cássio.
Ela subiu os três degraus que levavam ao altar e deu uma cutucada no ombro de Cássio, que estava olhando para o caixão aberto onde estava a sua mãe.
Ele olhou de relance e quase a abraçou, mas deteve-se.
Ela lhe entregou o ursinho que havia comprado.
__ Obrigado.
Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Naquele momento de tristeza, lágrimas saltitavam de seus olhos e o ursinho de pelúcia na mão daqui a instantes se encontraria encharcado.
__ Nada. Eu... eu... eu to feliz por você ter me chamado. Pensei que não confiasse em mim... pior,... que me odiasse.
Cássio se assustou e quase deu um pulo para trás. Com toda certeza ele não confiava em Beatrice e com toda a certeza não a queria ali, mas naquele momento, percebendo que não tinha amigo algum para apoiá-lo, ele preferiu ter uma inimiga, que ele mais chama de "vampirinha-do-inferno" a não poder chorar no ombro de mais ninguém.
Beatrice riu do susto de Cássio.
__ Lamento, muito. Eu sinto a sua dor. O estranho é que eu sou masoquista, __ ela assumiu com calma, como se isso fosse normal __ gosto da dor, às vezes.
Dava para perceber que Beatrice gostava da dor. Além da enorme quantidade de piercings por todo o rosto, na sobrancelha, na boca, na língua, na orelha no mínimo uns cinco, no nariz... Ela ainda tinha muitas marcas incontáveis de cortes nos pulsos. Cássio achava isso repugnante, e esse era um de seus motivos para odiá-la, mas ele seguiria a sua causa. Salvá-la.
Beatrice sabendo que ele olhava fixamente para sua orelha, contando seus piercings, resolveu deitar seu rosto no ombro dele, fazendo-o se arrepiar.
__ Sabe, Cássio... Eu sei que posso ser diferente, ou, sei lá, uma diabinha na sua opinião. Mas saiba que eu sou a única garota que não acha você esquisito, sabe por quê?
__ Não __ disse Cássio com a voz um pouco rouca ainda de tanto chorar.
__ Por que nós somos iguais, de alguma maneira, Cássio. E também por eu me achar a mais estranha do mundo.
Cássio levantou uma sobrancelha assustado.
__ Você pode até me xingar de todos os nomes, se sua religião permitir, mas não tente mudar o destino. Se você acredita em Deus, continue acreditando, mas não deixe de acreditar no terreno também.
__ Como assim? __ pergunta Cássio curioso sobre a religião indefinida de Beatrice.
__ Terreno, Cássio. Coisas terrenas __ Beatrice apertou a rosa vermelha que segurava entre suas mãos.
Ela a tacou dentro do caixão e levantou a cabeça do ombro de Cássio. Ele fez o mesmo com o buquê de rosas brancas.
__ Ela é... era linda.
Beatrice fechou o caixão ao perceber que Cássio começaria a chorar, levantou a barra do vestido preto e começou a caminhar para fora da igreja. Cássio ficaria sem respostas naquele dia. Só com o pensamento grudado no que Beatrice deixou ao vento.
Começando a chover lá fora, Beatrice começou a correr em direção a uma moto com um cara de roupas pretas e capacete. Deveria ser o mesmo namorado que a foi buscar na escola naquele dia. Ele deu um para ela também e partiram. Cássio fez o sinal da cruz e se retirou pela porta dos fundos, indo em direção ao descanso dos padres. Lá, ele encontrou o padre Fernando, e sem dizer nada os dois voltaram para a capela e rezaram juntos. No final, interessado, padre Fernando começou a questionar Cássio.
__ Quem era aquela garota?
__ A vampirinha do inferno de quem eu sempre falo.
__ Por que a chamou até aqui?
__ Nada, padre, eu só... queria ter alguém para com quem conversar nesse momento.
__ Sua mãe não iria gostar da presença dela aqui. Aposto que ela está te fuzilando com os olhos do céu.
__ O que eu poderia fazer padre? Ela preferiria com certeza Beatrice a me ver sozinho chorando o tempo todo. E, pelo, menos, ela trouxe uma rosa. A presença dela não foi tão ruim.
__ Não quero que você passe para o lado dela, entendeu? Chega de dar ouvidos as conversas bobas dela.
Parecia que o padre Fernando tinha sexto sentido.
__ Sim,... sim, senhor.
Padre Fernando se retirou e foi lá fora, dizer para os encarregados de levar o caixão até o cemitério para tirarem ele de lá.
Naquele momento, Cássio não se aguentou, agarrou o ursinho marrom com uma blusinha do Iron Maiden e começou a chorar. Saiu e encontrou o padre Fernando na porta da igreja, o esperando. Entraram no carro da funerária e seguiram em direção ao cemitério.
Beatrice chegou bem na hora que ela combinou com Cássio.
Ela subiu os três degraus que levavam ao altar e deu uma cutucada no ombro de Cássio, que estava olhando para o caixão aberto onde estava a sua mãe.
Ele olhou de relance e quase a abraçou, mas deteve-se.
Ela lhe entregou o ursinho que havia comprado.
__ Obrigado.
Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Naquele momento de tristeza, lágrimas saltitavam de seus olhos e o ursinho de pelúcia na mão daqui a instantes se encontraria encharcado.
__ Nada. Eu... eu... eu to feliz por você ter me chamado. Pensei que não confiasse em mim... pior,... que me odiasse.
Cássio se assustou e quase deu um pulo para trás. Com toda certeza ele não confiava em Beatrice e com toda a certeza não a queria ali, mas naquele momento, percebendo que não tinha amigo algum para apoiá-lo, ele preferiu ter uma inimiga, que ele mais chama de "vampirinha-do-inferno" a não poder chorar no ombro de mais ninguém.
Beatrice riu do susto de Cássio.
__ Lamento, muito. Eu sinto a sua dor. O estranho é que eu sou masoquista, __ ela assumiu com calma, como se isso fosse normal __ gosto da dor, às vezes.
Dava para perceber que Beatrice gostava da dor. Além da enorme quantidade de piercings por todo o rosto, na sobrancelha, na boca, na língua, na orelha no mínimo uns cinco, no nariz... Ela ainda tinha muitas marcas incontáveis de cortes nos pulsos. Cássio achava isso repugnante, e esse era um de seus motivos para odiá-la, mas ele seguiria a sua causa. Salvá-la.
Beatrice sabendo que ele olhava fixamente para sua orelha, contando seus piercings, resolveu deitar seu rosto no ombro dele, fazendo-o se arrepiar.
__ Sabe, Cássio... Eu sei que posso ser diferente, ou, sei lá, uma diabinha na sua opinião. Mas saiba que eu sou a única garota que não acha você esquisito, sabe por quê?
__ Não __ disse Cássio com a voz um pouco rouca ainda de tanto chorar.
__ Por que nós somos iguais, de alguma maneira, Cássio. E também por eu me achar a mais estranha do mundo.
Cássio levantou uma sobrancelha assustado.
__ Você pode até me xingar de todos os nomes, se sua religião permitir, mas não tente mudar o destino. Se você acredita em Deus, continue acreditando, mas não deixe de acreditar no terreno também.
__ Como assim? __ pergunta Cássio curioso sobre a religião indefinida de Beatrice.
__ Terreno, Cássio. Coisas terrenas __ Beatrice apertou a rosa vermelha que segurava entre suas mãos.
Ela a tacou dentro do caixão e levantou a cabeça do ombro de Cássio. Ele fez o mesmo com o buquê de rosas brancas.
__ Ela é... era linda.
Beatrice fechou o caixão ao perceber que Cássio começaria a chorar, levantou a barra do vestido preto e começou a caminhar para fora da igreja. Cássio ficaria sem respostas naquele dia. Só com o pensamento grudado no que Beatrice deixou ao vento.
Começando a chover lá fora, Beatrice começou a correr em direção a uma moto com um cara de roupas pretas e capacete. Deveria ser o mesmo namorado que a foi buscar na escola naquele dia. Ele deu um para ela também e partiram. Cássio fez o sinal da cruz e se retirou pela porta dos fundos, indo em direção ao descanso dos padres. Lá, ele encontrou o padre Fernando, e sem dizer nada os dois voltaram para a capela e rezaram juntos. No final, interessado, padre Fernando começou a questionar Cássio.
__ Quem era aquela garota?
__ A vampirinha do inferno de quem eu sempre falo.
__ Por que a chamou até aqui?
__ Nada, padre, eu só... queria ter alguém para com quem conversar nesse momento.
__ Sua mãe não iria gostar da presença dela aqui. Aposto que ela está te fuzilando com os olhos do céu.
__ O que eu poderia fazer padre? Ela preferiria com certeza Beatrice a me ver sozinho chorando o tempo todo. E, pelo, menos, ela trouxe uma rosa. A presença dela não foi tão ruim.
__ Não quero que você passe para o lado dela, entendeu? Chega de dar ouvidos as conversas bobas dela.
Parecia que o padre Fernando tinha sexto sentido.
__ Sim,... sim, senhor.
Padre Fernando se retirou e foi lá fora, dizer para os encarregados de levar o caixão até o cemitério para tirarem ele de lá.
Naquele momento, Cássio não se aguentou, agarrou o ursinho marrom com uma blusinha do Iron Maiden e começou a chorar. Saiu e encontrou o padre Fernando na porta da igreja, o esperando. Entraram no carro da funerária e seguiram em direção ao cemitério.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Véspera
Primeira Temporada - episódio 8
Após algumas gaguejadas, Bea o tinha convidado para entrar em sua casa e eles conversaram muito pouco.
O enterro aconteceria às quatro horas da tarde, e ele havia ido a sua casa eram dez da manhã.
Ela aproveitou o tempo livre que tinha para comprar algum mimo para Cássio, e mais alguns piercings para ela.
Pegou escondida o dinheiro que tinha na bolsa da mãe e foi até a lojinha de trecos mais próxima.
Logo que entrou a vendedora tentou entretê-la e começou a mostrá-la tudo, mas nem precisou mostrar tanto, pois ela se apaixonou pelo ursinho de pelúcia roqueiro que havia na vitrine.
Logo que a vendedora embrulhou o ursinho, ela pediu para pegar alguns piercings para ela ver melhor e depois saiu de lá com uma sacola de compras na mão e satisfeita.
Assim que chegou em casa, ela desembrulhou o ursinho e o encheu de perfume. Ela queria que ele ficasse com o seu cheiro. Faltaria o cheiro de fumaça de cigarro e de vodka, mas isso não importava muito.
Como ela não sabia reembrulhar o urso de pelúcia ela o daria daquele jeito mesmo.
Resolveu descansar até chegar a hora do enterro.
Cássio já estava nervoso. O hospital ainda não havia liberado o corpo para o enterro e ele não aguentava mais de agonia para ver a sua mãe pela última vez...
Falando desse jeito parecia que ele iria esquecê-la, mas nunca. Ele nunca a esqueceria.
Samuel estava esperando uma ligação da namorada já faziam-se três horas.
Ele ligou de manhã, umas dez horas. Chamou, chamou e ninguém atendeu.
Ele ligou depois de tarde, era duas e pouco. Deu fora de área.
Ele ligou agora, que já eram três e meia. Chamou, chamou e ela finalmente atendeu.
__ Oi?
Para Samuel foi um alívio escutar a voz da namorada.
__ Até que enfim... você nunca atendia o telefone.
__ Ah, eu... estava meio ocupada hoje...
__ Ocupada? Com o quê?
Bea pensou antes de falar.
__ Eu vou a igreja.
Samuel quase que trancou a moto errada.
__ Mesmo? Jura?
__ Sim, mas não para fazer isso que você está pensando. Eu vou a um enterro.
__ Ah, tá. Po... que susto. Mas enterro de quem?
__ Vai lá me buscar quatro e pouquinho, não vou ficar muito tempo.
__ Enterro de quem?
Samuel já estava possesso.
__ Não te interessa. Você não conhece.
__ Ok, então...
Samuel pareceu um babaca dizendo aquilo. Não a interrogando. Ele tinha noção disso.
Cássio estava pronto. O corpo de sua mãe chegou na igreja e ele seria sepultado no cemitério mais próximo.
Haviam rosas azuis, a cor favorita de sua mãe, em torno dela dentro do caixão.
Ao mesmo tempo que ele tentava olhar para dentro do caixão, ele tentava pensar que ela poderia não estar ali.
Que ela poderia estar viva. O esperando no quarto deles. Com uma baita de reclamação dele, como sempre. Segurando seu almoço que a freira trouxe, pois ela já tinha comido o dela.
Ele chegaria, a abraçaria bem forte e diria tudo aquilo que ele nunca havia dito em todos esses anos.
Após algumas gaguejadas, Bea o tinha convidado para entrar em sua casa e eles conversaram muito pouco.
O enterro aconteceria às quatro horas da tarde, e ele havia ido a sua casa eram dez da manhã.
Ela aproveitou o tempo livre que tinha para comprar algum mimo para Cássio, e mais alguns piercings para ela.
Pegou escondida o dinheiro que tinha na bolsa da mãe e foi até a lojinha de trecos mais próxima.
Logo que entrou a vendedora tentou entretê-la e começou a mostrá-la tudo, mas nem precisou mostrar tanto, pois ela se apaixonou pelo ursinho de pelúcia roqueiro que havia na vitrine.
Logo que a vendedora embrulhou o ursinho, ela pediu para pegar alguns piercings para ela ver melhor e depois saiu de lá com uma sacola de compras na mão e satisfeita.
Assim que chegou em casa, ela desembrulhou o ursinho e o encheu de perfume. Ela queria que ele ficasse com o seu cheiro. Faltaria o cheiro de fumaça de cigarro e de vodka, mas isso não importava muito.
Como ela não sabia reembrulhar o urso de pelúcia ela o daria daquele jeito mesmo.
Resolveu descansar até chegar a hora do enterro.
Cássio já estava nervoso. O hospital ainda não havia liberado o corpo para o enterro e ele não aguentava mais de agonia para ver a sua mãe pela última vez...
Falando desse jeito parecia que ele iria esquecê-la, mas nunca. Ele nunca a esqueceria.
Samuel estava esperando uma ligação da namorada já faziam-se três horas.
Ele ligou de manhã, umas dez horas. Chamou, chamou e ninguém atendeu.
Ele ligou depois de tarde, era duas e pouco. Deu fora de área.
Ele ligou agora, que já eram três e meia. Chamou, chamou e ela finalmente atendeu.
__ Oi?
Para Samuel foi um alívio escutar a voz da namorada.
__ Até que enfim... você nunca atendia o telefone.
__ Ah, eu... estava meio ocupada hoje...
__ Ocupada? Com o quê?
Bea pensou antes de falar.
__ Eu vou a igreja.
Samuel quase que trancou a moto errada.
__ Mesmo? Jura?
__ Sim, mas não para fazer isso que você está pensando. Eu vou a um enterro.
__ Ah, tá. Po... que susto. Mas enterro de quem?
__ Vai lá me buscar quatro e pouquinho, não vou ficar muito tempo.
__ Enterro de quem?
Samuel já estava possesso.
__ Não te interessa. Você não conhece.
__ Ok, então...
Samuel pareceu um babaca dizendo aquilo. Não a interrogando. Ele tinha noção disso.
Cássio estava pronto. O corpo de sua mãe chegou na igreja e ele seria sepultado no cemitério mais próximo.
Haviam rosas azuis, a cor favorita de sua mãe, em torno dela dentro do caixão.
Ao mesmo tempo que ele tentava olhar para dentro do caixão, ele tentava pensar que ela poderia não estar ali.
Que ela poderia estar viva. O esperando no quarto deles. Com uma baita de reclamação dele, como sempre. Segurando seu almoço que a freira trouxe, pois ela já tinha comido o dela.
Ele chegaria, a abraçaria bem forte e diria tudo aquilo que ele nunca havia dito em todos esses anos.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Um convite que surpreende
Primeira Temporada - episódio 7
Cássio já estava bem íntimo do padre Fernando e de todos da igreja, menos do padre Ícaro. Só necessitava da aprovação deste para ele se tornar um sacerdote da igreja como era em Roma.
Ser um sacerdote... poucos valorizam o trabalho e o esforço que um sacerdote exerce. Ele sempre amou fazer isso e chamava de carreira desde os seus treze anos, quando finalmente se tornou sacerdote após três anos de coroinha.
Ele estava sentado na sua cama olhando para a cama de sua mãe a sua frente. Ele permitiu que uma lágrima caísse de seus olhos quando seu telefone bipou no seu bolso.
Uma nova mensagem. Ele leu no visor do celular.
Apertou em ler mensagem e começou a chorar.
Pensar na sua mãe era o que ele menos queria.
Cara só li a sua mensagem agora, me desculpa, ok? O enterro vai ser quando?
Sua mãe tinha morrido na madrugada anterior. Um dia que ele guardaria tristemente no seu coração.
Ele ia responder a mensagem mas acabou só a respondendo mentalmente. Seu amigo não poderia chegar assim tão rápido de Roma até Senilla.
Já eram cinco da manhã e sua mãe tinha morrido uma hora da madrugada. Ele perdeu o ânimo dos sábados que ele sempre tinha.
Não conseguia pensar em mais ninguém que pudesse ir ao enterro e ajudá-lo. Ninguém realmente era amigo dele além do padre Fernando. Nem mesmo com o doutor ele teve uma intimidade.
De alguma forma extremamente estranha, ele pensou em Beatrice.
Como? Como ela poderia ajudá-lo? A vampirinha do inferno, enviada diretamente das profundezas do inferno e produzida por satanás... Convidá-la para o enterro?
Ele pensou milhares de vezes não, não e não até uma luz faiscar mais forte.
Ele lembrou dela saindo do banheiro assim que o sinal do término do recreio tocou. Sua camiseta era de meia manga e azul marinho, mas como estava frio ela colocou outra branca por baixo, de manga comprida.
Ele pode assim ver as manchas que o sangue, de ter cortado, os pulsos deixou na camisa.
Aquilo entristeceu seu coração com tanta força que o fez lembrar de que a igreja a ajudaria. E se ela fosse com algum motivo menos óbvio do que a confissão de seus pecados, principalmente amolecida com a notícia da morte da mãe de um amigo, a salvação chegaria sem ela nem perceber.
Decidido, Cássio limpou as lágrimas, levantou-se da cama e seguiu para a escola. Lá ele descobriria o endereço de Beatrice e poderia surpreendê-la com sua visita.
Após pedir o endereço para a secretária dizendo que precisava para concluir um trabalho em grupo, ele seguiu para o endereço indicado.
Lá era praticamente o Brooklyn. Vários prédios de classe média e baixa e crianças correndo avoadas pelas ruas.
Ele procurou o número 126 pela rua toda, até ver que o número estava com o seis solto em uma das pontas, assim virando um nove.
Falou rápido com o porteiro e entrou.
Subiu os quatro ramos de escadas e chegando no apartamento de Beatrice lhe faltou coragem.
Bato ou não bato logo na porta? Bato logo ou corro?
Ele ficou no lero lero até criar coragem e tocar a campainha que ele nem havia percebido antes.
Uma voz feminina atraente se aproximou da porta e ele levou um susto quando ela abriu.
Seus olhos negros e cabelos negros o enfeitiçaram. Ele nunca tinha percebido tanto quanto naquele momento o quanto Beatrice tinha um formato de rosto tão atraente.
__ Ah, oi... é você, né... como descobriu meu apartamento?
Bea coçou a cabeça, encostou o braço no batente e cruzou os pernas. Ela estava se sentindo desconfortável que nem da vez no hospital.
Cássio se lembrou do motivo de estar ali e começou a chorar.
__ Você... poderia... ir... no enterro... da minha... mãe? __ perguntou Cássio entre soluços enquanto limpava as lágrimas que caiam de seus olhos.
Ele não queria parecer infantil, mas nada que ele quisesse estava acontecendo na sua vida. Ele tentou parar de chorar e soluçar.
Ela continuou sem palavras, espantada e abismada. Boquiaberta em frente a Cássio.
__ Por... por que eu?
Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
Cássio já estava bem íntimo do padre Fernando e de todos da igreja, menos do padre Ícaro. Só necessitava da aprovação deste para ele se tornar um sacerdote da igreja como era em Roma.
Ser um sacerdote... poucos valorizam o trabalho e o esforço que um sacerdote exerce. Ele sempre amou fazer isso e chamava de carreira desde os seus treze anos, quando finalmente se tornou sacerdote após três anos de coroinha.
Ele estava sentado na sua cama olhando para a cama de sua mãe a sua frente. Ele permitiu que uma lágrima caísse de seus olhos quando seu telefone bipou no seu bolso.
Uma nova mensagem. Ele leu no visor do celular.
Apertou em ler mensagem e começou a chorar.
Pensar na sua mãe era o que ele menos queria.
Cara só li a sua mensagem agora, me desculpa, ok? O enterro vai ser quando?
Sua mãe tinha morrido na madrugada anterior. Um dia que ele guardaria tristemente no seu coração.
Ele ia responder a mensagem mas acabou só a respondendo mentalmente. Seu amigo não poderia chegar assim tão rápido de Roma até Senilla.
Já eram cinco da manhã e sua mãe tinha morrido uma hora da madrugada. Ele perdeu o ânimo dos sábados que ele sempre tinha.
Não conseguia pensar em mais ninguém que pudesse ir ao enterro e ajudá-lo. Ninguém realmente era amigo dele além do padre Fernando. Nem mesmo com o doutor ele teve uma intimidade.
De alguma forma extremamente estranha, ele pensou em Beatrice.
Como? Como ela poderia ajudá-lo? A vampirinha do inferno, enviada diretamente das profundezas do inferno e produzida por satanás... Convidá-la para o enterro?
Ele pensou milhares de vezes não, não e não até uma luz faiscar mais forte.
Ele lembrou dela saindo do banheiro assim que o sinal do término do recreio tocou. Sua camiseta era de meia manga e azul marinho, mas como estava frio ela colocou outra branca por baixo, de manga comprida.
Ele pode assim ver as manchas que o sangue, de ter cortado, os pulsos deixou na camisa.
Aquilo entristeceu seu coração com tanta força que o fez lembrar de que a igreja a ajudaria. E se ela fosse com algum motivo menos óbvio do que a confissão de seus pecados, principalmente amolecida com a notícia da morte da mãe de um amigo, a salvação chegaria sem ela nem perceber.
Decidido, Cássio limpou as lágrimas, levantou-se da cama e seguiu para a escola. Lá ele descobriria o endereço de Beatrice e poderia surpreendê-la com sua visita.
Após pedir o endereço para a secretária dizendo que precisava para concluir um trabalho em grupo, ele seguiu para o endereço indicado.
Lá era praticamente o Brooklyn. Vários prédios de classe média e baixa e crianças correndo avoadas pelas ruas.
Ele procurou o número 126 pela rua toda, até ver que o número estava com o seis solto em uma das pontas, assim virando um nove.
Falou rápido com o porteiro e entrou.
Subiu os quatro ramos de escadas e chegando no apartamento de Beatrice lhe faltou coragem.
Bato ou não bato logo na porta? Bato logo ou corro?
Ele ficou no lero lero até criar coragem e tocar a campainha que ele nem havia percebido antes.
Uma voz feminina atraente se aproximou da porta e ele levou um susto quando ela abriu.
Seus olhos negros e cabelos negros o enfeitiçaram. Ele nunca tinha percebido tanto quanto naquele momento o quanto Beatrice tinha um formato de rosto tão atraente.
__ Ah, oi... é você, né... como descobriu meu apartamento?
Bea coçou a cabeça, encostou o braço no batente e cruzou os pernas. Ela estava se sentindo desconfortável que nem da vez no hospital.
Cássio se lembrou do motivo de estar ali e começou a chorar.
__ Você... poderia... ir... no enterro... da minha... mãe? __ perguntou Cássio entre soluços enquanto limpava as lágrimas que caiam de seus olhos.
Ele não queria parecer infantil, mas nada que ele quisesse estava acontecendo na sua vida. Ele tentou parar de chorar e soluçar.
Ela continuou sem palavras, espantada e abismada. Boquiaberta em frente a Cássio.
__ Por... por que eu?
Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Letícia, a babaca feminista
Primeira Temporada - episódio 6
Era quarta-feira. Beatrice estava indo para a escola quando seu telefone toca. Era de sua casa.
__ Fala, bastardo __ ela atende o telefone irritada correndo na rua para atravessá-la antes que o sinal fechasse.
__ Você esqueceu seu absorvente.
Beatrice grunhiu. Aquele perturbado só tinha a ligado para dizer isso?
__ Não preciso. Tchau.
Ela desligou o telefone.
Isso era verdade. Ela não menstruava a uns cinco meses. Não se preocupou pois nunca havia transado com Samuel. Mas pensando assim, cinco meses batia com a sua última vez com Heitor. Ele foi embora em novembro do ano passado e já era abril.
Assim que chegou na escola ela correu para o banheiro. Ficou lá, sentada no vaso. Apoiou a cabeça na mão e os cotovelos nos joelhos.
Ela teria que ir no ginecologista ainda hoje. Correr para o hospital e ver logo o que tinha de errado com ela.
Olhou rápido em volta e viu que tinha alguns papéis pendurados novos.
Na sua escola quem escrevia nas portas não era o único multado e obrigado a esfregá-las. Todas as meninas, ou meninos, tinham que fazer o trabalho sujo.
A cabine onde ela estava era repleta de papéis que depois as serventes tiravam.
Uma lágrima caiu de seus olhos e quando ela virou para pegar umas folhas de papel para limpar o rosto, ela acabou lendo o papel em cima do porta papel higiênico.
"Beatrice é o homem da relação."
O papel era rosa, escrito com caneta com glitter roxa.
Beatrice sentiu o calor do ódio ferver o seu rosto. Se levantou correndo do vaso ainda fechado e escancarou a porta, quebrando a fechadura.
Com pisadas fortes no chão ela seguiu para sua sala de aula e escancarou a porta. A turma toda se assustou. Eles já estavam no final do primeiro tempo. Beatrice sempre chegava atrasada.
Ela seguiu em direção a carteira de Letícia, que era uma das primeiras carteiras. Bateu com força o punho na mesa, nem ligando para o professor que estava na sala de aula.
Letícia se assustou mas logo depois cruzou os braços e deu um sorrisinho de meia tigela, olhando o papel rosa na mão de Beatrice.
__ Rômulo disse pra mim que foi você que chegou nele, e não o contrário.
__ O que você tem a ver com isso, garota? Se mete na sua vida! E se ele ainda fala de mim, é por que ele ainda gosta de mim! Se manca!
Beatrice olhou para trás e viu o professor de braços cruzados, ainda perplexo com o acontecimento.
__ Desculpa, professor __ disse Beatrice com cara de nojo.
Ela seguiu em direção a sua carteira do lado de Cássio e se sentou sorrindo falsamente para ele, o deixando envergonhado.
As aulas passaram rápido e assim que bateu o sinal Cássio correu para fora da sala. Beatrice pensou que fosse para não cruzar com ela novamente, mas ontem ele nem tinha corrido, deveria ser outra coisa.
Assim que Cássio chegou no hospital ele foi direto para o quarto de sua mãe.
Ela estava deitada lá, com o aspecto muito cansado, dormindo e com alguns fios ligados ao seu corpo.
Seu primeiro dia de tratamento não tinha dado muito bem...
Cássio olhou rápido para trás e viu o doutor.
__ Doutor, doutor! __ ele gritou correndo atrás do doutor Furlanetto.
O doutor Furlanetto virou-se e sorriu, ainda segurando a prancheta que iria entregar para uma enfermeira. Ele disse enquanto ajeitava o estetoscópio no pescoço:
__ Ah, sim, você é o filho da senhora Brumma, não é?
__ Sim, sou eu.
__ Ela vai ter que ficar aqui, tudo bem? Sobre minhas fiscalizações.
__ Tudo... tudo bem, sim. Claro, é até melhor, não é?
__ Sim, isso ai.
De repente Cássio olha para trás e vê a menina com quem Beatrice tinha discutido na aula de matemática 2.
O doutor também olha e sorri.
__ Filha, você deve conhecer o...
__ Cássio __ respondeu Cássio, percebendo que o doutor não lembrava o seu nome __ Sim, nos conhecemos. Estudamos na mesma sala.
O doutor Furlanetto abraçou a Letícia e ela sorriu ao ver Cássio.
__ Oi, Cássio. Não nos falamos muito, mas oi.
Ela sorriu friamente depois. Não seriam grandes amigos, pelo menos era isso o que Cássio pensava.
__ Oi.
Cássio também tentou ser frio.
Letícia tentou se descolar do abraço do pai e quando ela ia continuar andando pelo corredor ela deu de cara com Beatrice.
Cássio olhou para trás e a viu também.
Beatrice meio envergonhada tentou cruzar os braços mas depois desistiu e colocou as mãos na cintura.
__ Você não pode tentar me expulsar do hospital também, Letícia. Nem da escola, nem das ruas por onde você passa e muito menos das baladas que seu namoradinho frequenta sem você. Ops, escapoliu __ Beatrice disse olhando diretamente nos olhos de Letícia.
__ Eu sempre vou nas baladas com Rômulo, ele nunca vai sem mim!
Letícia saiu correndo sem rumo pelo corredor.
Beatrice sorriu e seguiu seu rumo.
Cássio ficou parado perplexo e olhou de novo, virando-se, para o doutor Furlanetto.
__ Elas nunca brigaram antes, na verdade, se odiavam tanto que nem se olhavam, muito menos se falavam, mas foi só minha filha começar a namorar o Rômulo que elas começaram a ter coisas em comum.
Cássio começou a entender um pouco e então voltou para o quarto de sua mãe.
Era quarta-feira. Beatrice estava indo para a escola quando seu telefone toca. Era de sua casa.
__ Fala, bastardo __ ela atende o telefone irritada correndo na rua para atravessá-la antes que o sinal fechasse.
__ Você esqueceu seu absorvente.
Beatrice grunhiu. Aquele perturbado só tinha a ligado para dizer isso?
__ Não preciso. Tchau.
Ela desligou o telefone.
Isso era verdade. Ela não menstruava a uns cinco meses. Não se preocupou pois nunca havia transado com Samuel. Mas pensando assim, cinco meses batia com a sua última vez com Heitor. Ele foi embora em novembro do ano passado e já era abril.
Assim que chegou na escola ela correu para o banheiro. Ficou lá, sentada no vaso. Apoiou a cabeça na mão e os cotovelos nos joelhos.
Ela teria que ir no ginecologista ainda hoje. Correr para o hospital e ver logo o que tinha de errado com ela.
Olhou rápido em volta e viu que tinha alguns papéis pendurados novos.
Na sua escola quem escrevia nas portas não era o único multado e obrigado a esfregá-las. Todas as meninas, ou meninos, tinham que fazer o trabalho sujo.
A cabine onde ela estava era repleta de papéis que depois as serventes tiravam.
Uma lágrima caiu de seus olhos e quando ela virou para pegar umas folhas de papel para limpar o rosto, ela acabou lendo o papel em cima do porta papel higiênico.
"Beatrice é o homem da relação."
O papel era rosa, escrito com caneta com glitter roxa.
Beatrice sentiu o calor do ódio ferver o seu rosto. Se levantou correndo do vaso ainda fechado e escancarou a porta, quebrando a fechadura.
Com pisadas fortes no chão ela seguiu para sua sala de aula e escancarou a porta. A turma toda se assustou. Eles já estavam no final do primeiro tempo. Beatrice sempre chegava atrasada.
Ela seguiu em direção a carteira de Letícia, que era uma das primeiras carteiras. Bateu com força o punho na mesa, nem ligando para o professor que estava na sala de aula.
Letícia se assustou mas logo depois cruzou os braços e deu um sorrisinho de meia tigela, olhando o papel rosa na mão de Beatrice.
__ Rômulo disse pra mim que foi você que chegou nele, e não o contrário.
__ O que você tem a ver com isso, garota? Se mete na sua vida! E se ele ainda fala de mim, é por que ele ainda gosta de mim! Se manca!
Beatrice olhou para trás e viu o professor de braços cruzados, ainda perplexo com o acontecimento.
__ Desculpa, professor __ disse Beatrice com cara de nojo.
Ela seguiu em direção a sua carteira do lado de Cássio e se sentou sorrindo falsamente para ele, o deixando envergonhado.
As aulas passaram rápido e assim que bateu o sinal Cássio correu para fora da sala. Beatrice pensou que fosse para não cruzar com ela novamente, mas ontem ele nem tinha corrido, deveria ser outra coisa.
Assim que Cássio chegou no hospital ele foi direto para o quarto de sua mãe.
Ela estava deitada lá, com o aspecto muito cansado, dormindo e com alguns fios ligados ao seu corpo.
Seu primeiro dia de tratamento não tinha dado muito bem...
Cássio olhou rápido para trás e viu o doutor.
__ Doutor, doutor! __ ele gritou correndo atrás do doutor Furlanetto.
O doutor Furlanetto virou-se e sorriu, ainda segurando a prancheta que iria entregar para uma enfermeira. Ele disse enquanto ajeitava o estetoscópio no pescoço:
__ Ah, sim, você é o filho da senhora Brumma, não é?
__ Sim, sou eu.
__ Ela vai ter que ficar aqui, tudo bem? Sobre minhas fiscalizações.
__ Tudo... tudo bem, sim. Claro, é até melhor, não é?
__ Sim, isso ai.
De repente Cássio olha para trás e vê a menina com quem Beatrice tinha discutido na aula de matemática 2.
O doutor também olha e sorri.
__ Filha, você deve conhecer o...
__ Cássio __ respondeu Cássio, percebendo que o doutor não lembrava o seu nome __ Sim, nos conhecemos. Estudamos na mesma sala.
O doutor Furlanetto abraçou a Letícia e ela sorriu ao ver Cássio.
__ Oi, Cássio. Não nos falamos muito, mas oi.
Ela sorriu friamente depois. Não seriam grandes amigos, pelo menos era isso o que Cássio pensava.
__ Oi.
Cássio também tentou ser frio.
Letícia tentou se descolar do abraço do pai e quando ela ia continuar andando pelo corredor ela deu de cara com Beatrice.
Cássio olhou para trás e a viu também.
Beatrice meio envergonhada tentou cruzar os braços mas depois desistiu e colocou as mãos na cintura.
__ Você não pode tentar me expulsar do hospital também, Letícia. Nem da escola, nem das ruas por onde você passa e muito menos das baladas que seu namoradinho frequenta sem você. Ops, escapoliu __ Beatrice disse olhando diretamente nos olhos de Letícia.
__ Eu sempre vou nas baladas com Rômulo, ele nunca vai sem mim!
Letícia saiu correndo sem rumo pelo corredor.
Beatrice sorriu e seguiu seu rumo.
Cássio ficou parado perplexo e olhou de novo, virando-se, para o doutor Furlanetto.
__ Elas nunca brigaram antes, na verdade, se odiavam tanto que nem se olhavam, muito menos se falavam, mas foi só minha filha começar a namorar o Rômulo que elas começaram a ter coisas em comum.
Cássio começou a entender um pouco e então voltou para o quarto de sua mãe.
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