Era quarta-feira. Beatrice estava indo para a escola quando seu telefone toca. Era de sua casa.
__ Fala, bastardo __ ela atende o telefone irritada correndo na rua para atravessá-la antes que o sinal fechasse.
__ Você esqueceu seu absorvente.
Beatrice grunhiu. Aquele perturbado só tinha a ligado para dizer isso?
__ Não preciso. Tchau.
Ela desligou o telefone.
Isso era verdade. Ela não menstruava a uns cinco meses. Não se preocupou pois nunca havia transado com Samuel. Mas pensando assim, cinco meses batia com a sua última vez com Heitor. Ele foi embora em novembro do ano passado e já era abril.
Assim que chegou na escola ela correu para o banheiro. Ficou lá, sentada no vaso. Apoiou a cabeça na mão e os cotovelos nos joelhos.
Ela teria que ir no ginecologista ainda hoje. Correr para o hospital e ver logo o que tinha de errado com ela.
Olhou rápido em volta e viu que tinha alguns papéis pendurados novos.
Na sua escola quem escrevia nas portas não era o único multado e obrigado a esfregá-las. Todas as meninas, ou meninos, tinham que fazer o trabalho sujo.
A cabine onde ela estava era repleta de papéis que depois as serventes tiravam.
Uma lágrima caiu de seus olhos e quando ela virou para pegar umas folhas de papel para limpar o rosto, ela acabou lendo o papel em cima do porta papel higiênico.
"Beatrice é o homem da relação."
O papel era rosa, escrito com caneta com glitter roxa.
Beatrice sentiu o calor do ódio ferver o seu rosto. Se levantou correndo do vaso ainda fechado e escancarou a porta, quebrando a fechadura.
Com pisadas fortes no chão ela seguiu para sua sala de aula e escancarou a porta. A turma toda se assustou. Eles já estavam no final do primeiro tempo. Beatrice sempre chegava atrasada.
Ela seguiu em direção a carteira de Letícia, que era uma das primeiras carteiras. Bateu com força o punho na mesa, nem ligando para o professor que estava na sala de aula.
Letícia se assustou mas logo depois cruzou os braços e deu um sorrisinho de meia tigela, olhando o papel rosa na mão de Beatrice.
__ Rômulo disse pra mim que foi você que chegou nele, e não o contrário.
__ O que você tem a ver com isso, garota? Se mete na sua vida! E se ele ainda fala de mim, é por que ele ainda gosta de mim! Se manca!
Beatrice olhou para trás e viu o professor de braços cruzados, ainda perplexo com o acontecimento.
__ Desculpa, professor __ disse Beatrice com cara de nojo.
Ela seguiu em direção a sua carteira do lado de Cássio e se sentou sorrindo falsamente para ele, o deixando envergonhado.
As aulas passaram rápido e assim que bateu o sinal Cássio correu para fora da sala. Beatrice pensou que fosse para não cruzar com ela novamente, mas ontem ele nem tinha corrido, deveria ser outra coisa.
Assim que Cássio chegou no hospital ele foi direto para o quarto de sua mãe.
Ela estava deitada lá, com o aspecto muito cansado, dormindo e com alguns fios ligados ao seu corpo.
Seu primeiro dia de tratamento não tinha dado muito bem...
Cássio olhou rápido para trás e viu o doutor.
__ Doutor, doutor! __ ele gritou correndo atrás do doutor Furlanetto.
O doutor Furlanetto virou-se e sorriu, ainda segurando a prancheta que iria entregar para uma enfermeira. Ele disse enquanto ajeitava o estetoscópio no pescoço:
__ Ah, sim, você é o filho da senhora Brumma, não é?
__ Sim, sou eu.
__ Ela vai ter que ficar aqui, tudo bem? Sobre minhas fiscalizações.
__ Tudo... tudo bem, sim. Claro, é até melhor, não é?
__ Sim, isso ai.
De repente Cássio olha para trás e vê a menina com quem Beatrice tinha discutido na aula de matemática 2.
O doutor também olha e sorri.
__ Filha, você deve conhecer o...
__ Cássio __ respondeu Cássio, percebendo que o doutor não lembrava o seu nome __ Sim, nos conhecemos. Estudamos na mesma sala.
O doutor Furlanetto abraçou a Letícia e ela sorriu ao ver Cássio.
__ Oi, Cássio. Não nos falamos muito, mas oi.
Ela sorriu friamente depois. Não seriam grandes amigos, pelo menos era isso o que Cássio pensava.
__ Oi.
Cássio também tentou ser frio.
Letícia tentou se descolar do abraço do pai e quando ela ia continuar andando pelo corredor ela deu de cara com Beatrice.
Cássio olhou para trás e a viu também.
Beatrice meio envergonhada tentou cruzar os braços mas depois desistiu e colocou as mãos na cintura.
__ Você não pode tentar me expulsar do hospital também, Letícia. Nem da escola, nem das ruas por onde você passa e muito menos das baladas que seu namoradinho frequenta sem você. Ops, escapoliu __ Beatrice disse olhando diretamente nos olhos de Letícia.
__ Eu sempre vou nas baladas com Rômulo, ele nunca vai sem mim!
Letícia saiu correndo sem rumo pelo corredor.
Beatrice sorriu e seguiu seu rumo.
Cássio ficou parado perplexo e olhou de novo, virando-se, para o doutor Furlanetto.
__ Elas nunca brigaram antes, na verdade, se odiavam tanto que nem se olhavam, muito menos se falavam, mas foi só minha filha começar a namorar o Rômulo que elas começaram a ter coisas em comum.
Cássio começou a entender um pouco e então voltou para o quarto de sua mãe.
Uou, o Cássio acabou ficando no vácuo, coitado u.u
ResponderExcluirkkkkk, tadinho, né ;\
ExcluirQue história!!! Me arrependi de não ter vindo ler antes. Você e sua prima escrevem muito bem, hen.
ResponderExcluirplanetavx.blogspot.com
mt obrigada!
Excluirespero que acompanhe, ainda vem muitas coisas por ai... estou planejando a história para ter quatro temporadas
rs