Sinopse

A história se passa numa cidadezinha da Itália, chamada Senilla. Uma cidade presa entre montanhas e o mar, com nenhuma ligação com outra cidade, a não ser andando três horas inteiras de carro ou navio. Lá, encontra-se o melhor hospital da Itália para o tratamento de doenças raras, chamada Síndrome de Turner e Síndrome de Noonan. E é com a viagem de Cássio e sua mãe para lá, em busca de um tratamento, que se inicia a história emocionante de O sacerdote.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Confissões no hospital

Primeira Temporada - episódio 13

    Ele viu ela vindo correndo e chorando em sua direção e virou-se para abraçá-la.
__ Senta aqui, vamos conversar.
    As pessoas que estavam sentadas viram que ela não tinha recebido uma notícia muito boa e deram espaço para ela no banco.
    Ela ainda chorando sentou-se e Samuel ajoelhou-se a sua frente, segurando suas mãos.
__ Samuel... qual seu tipo sanguíneo?
__ B+, mas o que houve, Bea? Me diz...
__ Eu to muito doente.
    Ela largou uma mão da dele e esfregou no olho, limpando uma lágrima.
__ Você sabe que eu sempre estarei do seu lado, não sabe? É por isso que eu te chamo de amor, é por isso que eu te amo, por você ser assim, meio marrenta mais também muito carente. Eu te amo, Beatrice Soprano, eu te amo muito.
    Ele virou os pulsos dela assim que ela abaixou a outra mão do rosto. Subiu suas mangas e ela começou a chorar mais forte.
    Ele sabia, Bernardo sabia, sua irmã sabia... Nossa...
__ É tão visível assim?__ perguntou ela, olhando nos olhos mel de Samuel.
__ Mas visível no seu modo de agir do que você imagina.
__ Mas... eu me cuido.
__ Não, Bea, você está errada, você não tenta esconder, você só deixa mais amostra que se corta. Você se mostra frágil sem perceber.
__ Eu me mostro frágil mesmo assim, marrentinha?
__ Mas do que você imagina __ repetiu Samuel.
    Ela chorou mais ainda enquanto Samuel a olhava nos olhos chorosos borrando a maquiagem preta.
__ Eu te amo cada vez mais. E eu sei que você não me ama, mas eu vou conseguir, eu não vou desistir.
__ Obrigada por não desistir de mim, todos fazem isso no fim. Todos.
    A mulher ao lado de Bea viu que Samuel olhou para ela pedindo para se sentar ao lado de Beatrice e chegou mais para a direita.
    Ele se sentou lá e a agarrou forte, envolvendo-a de um modo aconchegante.
__ Eu acho que estou começando a te amar, Samuel.
    Ele sorriu enquanto ela apoiava a cabeça no ombro de Samuel.
__ Eu sabia que esse dia chegaria.

    Cássio finalmente estava mais próximo do que nunca de ser convidado a ser um sacerdote da igreja. Ele já morava lá por caridade da igreja, ajudava sempre nas missas de domingo, mesmo depois de enfrentar problemas difíceis, o que mais restava?
    O padre Fernando já tinha até discutido com o padre Ícaro sobre essa possibilidade.
    Cássio tentou de todas as maneiras nesses últimos dias um jeito de agradá-lo, mas cada vez menos o padre Ícaro gostava dele.
    Ele chegou um dia a falar mal dele para a freira Sílvia, que não concordou com o que padre Ícaro dizia sobre Cássio.
    Cássio sabendo do que houve resolveu falar com Sílvia também.
__ Você confia em mim, né, Sílvia?
__ Claro que sim, o padre Ícaro só vai com a cara do Gabriel, também, né, ele é tão falso, mas tão falso que engana qualquer um.
    Cássio sorri em perceber que Sívia era muito nova para estar ali, será que ela fez algo errado do qual se arrepende?
__ Quantos anos você tem, Sílvia?
__ Eu? Tenho dezoito. Estranho, eu sei, mas tem coisas que eu fiz que não gostei, ai resolvi me converter.
    Bingo.
__ Qual era a sua religião?
    Sílvia pensou bem antes de responder.
__ Ah, Cássio... você ainda vai descobrir muitas coisas que existem entre o céu e o inferno.
    Ela calou-se, Cássio calou-se e eles ficaram ali, pensando até ficar de noite e terem que ir para seus quartos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Não ter pai é e sempre foi um problema

Primeira Temporada - episódio 12

    Samuel estava na porta do colégio a espera de Beatrice já fazia meia hora. Cássio passou por ele e percebeu que estava a espera dela.
    Por que ela demorava tanto?
    Talvez estivesse apenas conversando mais com sua nova "amiga".
    Ela apareceu no portão sorridente, mas algo muito pavoroso ela guardava em seu coração.
__ Vamos pra onde? __ pergunta Samuel, enquanto Bea sobe na garoupa da moto.
    Ela sessou em falar. Não queria lembrar que era isso que fariam agora.
__ Primeiro eu quero beber.
    Ele seguiu para o beco e saíram de lá uma hora depois.

    Chegando no hospital, Samuel ainda sem saber o motivo deles irem para lá, Beatrice seguia para a central de exames de sangue sozinha e após pegar com uma enfermeira, ela é direcionada a um médico.
__ Mas eu não marquei consulta, por quê eu tenho que ir falar com ele?
    Bea estava possessa. A única coisa que a importava era se estava grávida ou não.
__ Ele pediu. Quer lhe ajudar __ a enfermeira pôs a mão envolta nos ombros de Beatrice, a deixando mais nervosa, como se ela tivesse algum problema grave.
__ Olá... __ diz o doutor com um crachá escrito Furlanetto.
    Ah, não, o pai da Letícia...
__ Fala logo se estou grávida ou não...
__ Não é sobre isso que quero conversar com você, agora sente-se...
    A enfermeira fechou a porta atrás de Beatrice, fazendo-a virar-se com os olhos arregalados.
__ Mas eu estou grávida ou não?
    Bea se sentou possessa.
__ Não, você não está. É algo mais grave, precisarei conversar com seus pais.
__ Morreram... __ Bea não conhecia seu pai, nem o de Joana, nem o de Tales, e não queria meter a sua mãe na sua vida.
__ Ok, então, vou tratar com você mesmo. Já tem dezesseis anos, é adulta praticamente.
__ Posso dizer que sei me virar...
    O médico finalmente se sentou após mexer em alguns aparelhos na parte de exames do lado de sua mesa.
__ Ótimo. Trabalha?
__ Pra que você quer saber isso, hein?
__ Não precisa me falar então, Beatrice.
__ Onde você descobriu meu nome?
    Bea cruzou os braços, estava vermelha como um tomate.
__ Conheço sua mãe, sei que ela ainda está viva, sei que você estuda com a minha filha e sei que não trabalha.
__ Ok, então... agora me explica porque me chamou aqui.
__ É o seguinte, Beatrice... você tem bulimia e anemia graves, precisa se tratar e precisa de uma transfusão de sangue.
    Tudo culpa de só ela sabe o que...
__ Ok, então. Era por isso que precisava falar com a minha mãe?
__ E com o seu pai, tem que ver qual sangue que é o compatível com o seu, pois infelizmente nossos bancos de sangue estão vazios, e o seu é mais ou menos raro.
__ Tá bom então, obrigada por me informar sobre isso, vou ver com a minha mãe qual o tipo sanguíneo dela, agora me explica uma coisa, qual o meu?
__ AB-, Bea... Espero que o dela seja o mesmo, se não só seu pai ou alguém que se candidate a doar sangue.
__ Ok, obrigada, era só isso?
    Bea se levantou e abriu a porta, pronta para meter o pé.
__ Sim, Bea, isso. Que já é muita coisa. Lhe aconselho a sair daqui e comer bastante, não quero que piore seu estado de bulimia.
__Ok... __ ela fez sinal de sim, senhor, como se estivesse no quartel e fechou a porta atrás de si.
    Ainda bem que ela não estava grávida, era só isso que ela pensava. Samuel a amava e não gostaria de saber que ela estava grávida do amor de sua vida.
    Avistou Samuel encostado na parede a uns cinco metros de distância, seguiu correndo para seus braços meio chorosa. Precisava de seu colo urgentemente, ela estava começando a amá-lo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Desentendimentos e namorados caminham juntos

Primeira Temporada - episódio 11

    Era terça-feira e Bea estava cabulada a aula toda. Não deu nem um pio. Nenhuma palavra, nem mesmo um "oi" para Cássio.
    Ela só chegou e abraçou forte Cássio, como se previsse algo ruim.
    Ontem era o dia que ela iria buscar o resultado do exame de sangue. Ela adiou para hoje, pois Samuel podia ir com ela.
    Cássio conversou com Beatrice até seis horas da tarde de segunda-feira na pedra e ela não queria incomodá-lo, mas também não queria ir sozinha.
    O sinal do fim da aula tocou e Cássio esperava que Beatrice fosse lanchar com ele, mas ela seguiu sozinha e calada até o banheiro, fazer o seu costume de sempre. Chorar sozinha.
    Enquanto ela chorava percebeu que alguém entrou no banheiro, chorando também.
    Mas quando ela olhou por baixo da porta do banheiro, viu mais de dois pés.
__ O Rômulo tá querendo morrer!
    Ah, não, é a Letícia.
__ Amiga, fica calma, uma hora ele vai ter que esquecer a Beatrice, e, pensa pelo lado positivo, miga, ele tá com você agora, com você!
    Essa deveria ser a Bárbara. Um brilho surgiu nos olhos de Beatrice. Rômulo ainda estava total e completo na dela.
__ Olha, eu acho que o amor também acaba...
    Essa com certeza era a babaca da Cecília, querendo sempre agradar, mas nunca sabendo como falar.
__ Amor?!?! Você está falando que ele ama ela?
__ Não foi bem isso que eu quis dizer, considera só a parte que diz que acaba.
__ Não sei porque eu ainda não te expulsei.
    Cecília se calou e Bárbara ficou na dela.
__ Beatrice Soprano, por que você enfeitiçou o coração do meu namorado?!?!
    Bea se sentiu ameaçada, e resolveu pôr as caras.
    Ela abriu a porta e saiu com um empurrão, assustando imediatamente Cecília, a traumatizada.
__ Desculpa Letícia, se te peguei num momento ruim __ ela cruzou os braços e continuou sem ser interrompida por nenhuma das três __ mas eu precisava dizer a verdade. Seu namorado me ama sim! E eu não precisei enfeitiçá-lo ou nada do tipo, porque o amor surge sem nada disso!
    Letícia não aguentou e começou a chorar. Rômulo podia amar a Beatrice e Letícia podia odiá-la, mas ela amava Rômulo com todas as forças.
__ Ok, mas deixa meu namorado em paz, não encontre com ele de novo, por favor!
__ Eu nunca mais encontrei com o seu namorado depois da balada. Claro que já conversamos na escola e tals, mas nada de namoro ou outros encontros... nada, eu... realmente te juro.
    Beatrice não podia mexer com um coração balanceado com o amor, pois ela também não gostaria que mexessem com o seu.
__ Vamos combinar assim então? __ Bea continuou falando, já que viu que Letícia ainda estava em estado de choque __ Eu não mecho mais com o seu namorado e você não meche mais com o Cássio, tá bom?
__ Mas eu...
__ Eu sei que você nunca fez nada pra ele, mas eu também sei o que você tem em mente, já que você não frequenta a igreja e odeia católicos fervorosos.
    Bea sorriu de canto. Ela achava engraçado falar isso, afinal, ela também não frequentava a igreja e não gostava de religiões
__ Ok, combinado.
    Letícia esticou a mão e Bea fez o mesmo. O enlace fez com que as duas se fuzilassem com os olhos.
    Elas poderiam estar se entendendo, mas isso seria feito aos poucos, ainda há muitas desavenças entre elas à espera de uma fagulha de fogo na fogueira.

    Enquanto um acordo do século era firmado no banheiro feminino, Cássio tentava achar algo para fazer enquanto passava mais um recreio sozinho.
    Ele avistou um aluno do primeiro ano indo em sua direção. Fingiu não percebê-lo.
__ Olá, qual seu nome? Meu nome é Alencar, vamos ser amigos?
    Cássio se assustou assim que viu que o garoto sentou do seu lado.
__ Quantos anos você tem?
    Ele parecia uma criança.
__ Tenho quatorze, sou adiantado.
    Estava explicado.
__Prazer, sou Cássio, do segundo ano.
__ Você nasceu aqui em Senilla?
__ Não, mas... deixa pra lá, e você?
__ Também não, mas eu gostei daqui, quer dizer, gosto, né, ainda.
    O garoto sorriu nervoso.
    Seria bom para Cássio ter um amigo que também não nasceu em Senilla, discutir com ele sobre os pós e os contra de ter se mudado para lá e descobrir novas vidas que também podiam ser tão sofridas quando a sua.