Primeira Temporada - episódio 8
Após algumas gaguejadas, Bea o tinha convidado para entrar em sua casa e eles conversaram muito pouco.
O enterro aconteceria às quatro horas da tarde, e ele havia ido a sua casa eram dez da manhã.
Ela aproveitou o tempo livre que tinha para comprar algum mimo para Cássio, e mais alguns piercings para ela.
Pegou escondida o dinheiro que tinha na bolsa da mãe e foi até a lojinha de trecos mais próxima.
Logo que entrou a vendedora tentou entretê-la e começou a mostrá-la tudo, mas nem precisou mostrar tanto, pois ela se apaixonou pelo ursinho de pelúcia roqueiro que havia na vitrine.
Logo que a vendedora embrulhou o ursinho, ela pediu para pegar alguns piercings para ela ver melhor e depois saiu de lá com uma sacola de compras na mão e satisfeita.
Assim que chegou em casa, ela desembrulhou o ursinho e o encheu de perfume. Ela queria que ele ficasse com o seu cheiro. Faltaria o cheiro de fumaça de cigarro e de vodka, mas isso não importava muito.
Como ela não sabia reembrulhar o urso de pelúcia ela o daria daquele jeito mesmo.
Resolveu descansar até chegar a hora do enterro.
Cássio já estava nervoso. O hospital ainda não havia liberado o corpo para o enterro e ele não aguentava mais de agonia para ver a sua mãe pela última vez...
Falando desse jeito parecia que ele iria esquecê-la, mas nunca. Ele nunca a esqueceria.
Samuel estava esperando uma ligação da namorada já faziam-se três horas.
Ele ligou de manhã, umas dez horas. Chamou, chamou e ninguém atendeu.
Ele ligou depois de tarde, era duas e pouco. Deu fora de área.
Ele ligou agora, que já eram três e meia. Chamou, chamou e ela finalmente atendeu.
__ Oi?
Para Samuel foi um alívio escutar a voz da namorada.
__ Até que enfim... você nunca atendia o telefone.
__ Ah, eu... estava meio ocupada hoje...
__ Ocupada? Com o quê?
Bea pensou antes de falar.
__ Eu vou a igreja.
Samuel quase que trancou a moto errada.
__ Mesmo? Jura?
__ Sim, mas não para fazer isso que você está pensando. Eu vou a um enterro.
__ Ah, tá. Po... que susto. Mas enterro de quem?
__ Vai lá me buscar quatro e pouquinho, não vou ficar muito tempo.
__ Enterro de quem?
Samuel já estava possesso.
__ Não te interessa. Você não conhece.
__ Ok, então...
Samuel pareceu um babaca dizendo aquilo. Não a interrogando. Ele tinha noção disso.
Cássio estava pronto. O corpo de sua mãe chegou na igreja e ele seria sepultado no cemitério mais próximo.
Haviam rosas azuis, a cor favorita de sua mãe, em torno dela dentro do caixão.
Ao mesmo tempo que ele tentava olhar para dentro do caixão, ele tentava pensar que ela poderia não estar ali.
Que ela poderia estar viva. O esperando no quarto deles. Com uma baita de reclamação dele, como sempre. Segurando seu almoço que a freira trouxe, pois ela já tinha comido o dela.
Ele chegaria, a abraçaria bem forte e diria tudo aquilo que ele nunca havia dito em todos esses anos.
Sinopse
A história se passa numa cidadezinha da Itália, chamada Senilla. Uma cidade presa entre montanhas e o mar, com nenhuma ligação com outra cidade, a não ser andando três horas inteiras de carro ou navio. Lá, encontra-se o melhor hospital da Itália para o tratamento de doenças raras, chamada Síndrome de Turner e Síndrome de Noonan. E é com a viagem de Cássio e sua mãe para lá, em busca de um tratamento, que se inicia a história emocionante de O sacerdote.
sábado, 12 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Um convite que surpreende
Primeira Temporada - episódio 7
Cássio já estava bem íntimo do padre Fernando e de todos da igreja, menos do padre Ícaro. Só necessitava da aprovação deste para ele se tornar um sacerdote da igreja como era em Roma.
Ser um sacerdote... poucos valorizam o trabalho e o esforço que um sacerdote exerce. Ele sempre amou fazer isso e chamava de carreira desde os seus treze anos, quando finalmente se tornou sacerdote após três anos de coroinha.
Ele estava sentado na sua cama olhando para a cama de sua mãe a sua frente. Ele permitiu que uma lágrima caísse de seus olhos quando seu telefone bipou no seu bolso.
Uma nova mensagem. Ele leu no visor do celular.
Apertou em ler mensagem e começou a chorar.
Pensar na sua mãe era o que ele menos queria.
Cara só li a sua mensagem agora, me desculpa, ok? O enterro vai ser quando?
Sua mãe tinha morrido na madrugada anterior. Um dia que ele guardaria tristemente no seu coração.
Ele ia responder a mensagem mas acabou só a respondendo mentalmente. Seu amigo não poderia chegar assim tão rápido de Roma até Senilla.
Já eram cinco da manhã e sua mãe tinha morrido uma hora da madrugada. Ele perdeu o ânimo dos sábados que ele sempre tinha.
Não conseguia pensar em mais ninguém que pudesse ir ao enterro e ajudá-lo. Ninguém realmente era amigo dele além do padre Fernando. Nem mesmo com o doutor ele teve uma intimidade.
De alguma forma extremamente estranha, ele pensou em Beatrice.
Como? Como ela poderia ajudá-lo? A vampirinha do inferno, enviada diretamente das profundezas do inferno e produzida por satanás... Convidá-la para o enterro?
Ele pensou milhares de vezes não, não e não até uma luz faiscar mais forte.
Ele lembrou dela saindo do banheiro assim que o sinal do término do recreio tocou. Sua camiseta era de meia manga e azul marinho, mas como estava frio ela colocou outra branca por baixo, de manga comprida.
Ele pode assim ver as manchas que o sangue, de ter cortado, os pulsos deixou na camisa.
Aquilo entristeceu seu coração com tanta força que o fez lembrar de que a igreja a ajudaria. E se ela fosse com algum motivo menos óbvio do que a confissão de seus pecados, principalmente amolecida com a notícia da morte da mãe de um amigo, a salvação chegaria sem ela nem perceber.
Decidido, Cássio limpou as lágrimas, levantou-se da cama e seguiu para a escola. Lá ele descobriria o endereço de Beatrice e poderia surpreendê-la com sua visita.
Após pedir o endereço para a secretária dizendo que precisava para concluir um trabalho em grupo, ele seguiu para o endereço indicado.
Lá era praticamente o Brooklyn. Vários prédios de classe média e baixa e crianças correndo avoadas pelas ruas.
Ele procurou o número 126 pela rua toda, até ver que o número estava com o seis solto em uma das pontas, assim virando um nove.
Falou rápido com o porteiro e entrou.
Subiu os quatro ramos de escadas e chegando no apartamento de Beatrice lhe faltou coragem.
Bato ou não bato logo na porta? Bato logo ou corro?
Ele ficou no lero lero até criar coragem e tocar a campainha que ele nem havia percebido antes.
Uma voz feminina atraente se aproximou da porta e ele levou um susto quando ela abriu.
Seus olhos negros e cabelos negros o enfeitiçaram. Ele nunca tinha percebido tanto quanto naquele momento o quanto Beatrice tinha um formato de rosto tão atraente.
__ Ah, oi... é você, né... como descobriu meu apartamento?
Bea coçou a cabeça, encostou o braço no batente e cruzou os pernas. Ela estava se sentindo desconfortável que nem da vez no hospital.
Cássio se lembrou do motivo de estar ali e começou a chorar.
__ Você... poderia... ir... no enterro... da minha... mãe? __ perguntou Cássio entre soluços enquanto limpava as lágrimas que caiam de seus olhos.
Ele não queria parecer infantil, mas nada que ele quisesse estava acontecendo na sua vida. Ele tentou parar de chorar e soluçar.
Ela continuou sem palavras, espantada e abismada. Boquiaberta em frente a Cássio.
__ Por... por que eu?
Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
Cássio já estava bem íntimo do padre Fernando e de todos da igreja, menos do padre Ícaro. Só necessitava da aprovação deste para ele se tornar um sacerdote da igreja como era em Roma.
Ser um sacerdote... poucos valorizam o trabalho e o esforço que um sacerdote exerce. Ele sempre amou fazer isso e chamava de carreira desde os seus treze anos, quando finalmente se tornou sacerdote após três anos de coroinha.
Ele estava sentado na sua cama olhando para a cama de sua mãe a sua frente. Ele permitiu que uma lágrima caísse de seus olhos quando seu telefone bipou no seu bolso.
Uma nova mensagem. Ele leu no visor do celular.
Apertou em ler mensagem e começou a chorar.
Pensar na sua mãe era o que ele menos queria.
Cara só li a sua mensagem agora, me desculpa, ok? O enterro vai ser quando?
Sua mãe tinha morrido na madrugada anterior. Um dia que ele guardaria tristemente no seu coração.
Ele ia responder a mensagem mas acabou só a respondendo mentalmente. Seu amigo não poderia chegar assim tão rápido de Roma até Senilla.
Já eram cinco da manhã e sua mãe tinha morrido uma hora da madrugada. Ele perdeu o ânimo dos sábados que ele sempre tinha.
Não conseguia pensar em mais ninguém que pudesse ir ao enterro e ajudá-lo. Ninguém realmente era amigo dele além do padre Fernando. Nem mesmo com o doutor ele teve uma intimidade.
De alguma forma extremamente estranha, ele pensou em Beatrice.
Como? Como ela poderia ajudá-lo? A vampirinha do inferno, enviada diretamente das profundezas do inferno e produzida por satanás... Convidá-la para o enterro?
Ele pensou milhares de vezes não, não e não até uma luz faiscar mais forte.
Ele lembrou dela saindo do banheiro assim que o sinal do término do recreio tocou. Sua camiseta era de meia manga e azul marinho, mas como estava frio ela colocou outra branca por baixo, de manga comprida.
Ele pode assim ver as manchas que o sangue, de ter cortado, os pulsos deixou na camisa.
Aquilo entristeceu seu coração com tanta força que o fez lembrar de que a igreja a ajudaria. E se ela fosse com algum motivo menos óbvio do que a confissão de seus pecados, principalmente amolecida com a notícia da morte da mãe de um amigo, a salvação chegaria sem ela nem perceber.
Decidido, Cássio limpou as lágrimas, levantou-se da cama e seguiu para a escola. Lá ele descobriria o endereço de Beatrice e poderia surpreendê-la com sua visita.
Após pedir o endereço para a secretária dizendo que precisava para concluir um trabalho em grupo, ele seguiu para o endereço indicado.
Lá era praticamente o Brooklyn. Vários prédios de classe média e baixa e crianças correndo avoadas pelas ruas.
Ele procurou o número 126 pela rua toda, até ver que o número estava com o seis solto em uma das pontas, assim virando um nove.
Falou rápido com o porteiro e entrou.
Subiu os quatro ramos de escadas e chegando no apartamento de Beatrice lhe faltou coragem.
Bato ou não bato logo na porta? Bato logo ou corro?
Ele ficou no lero lero até criar coragem e tocar a campainha que ele nem havia percebido antes.
Uma voz feminina atraente se aproximou da porta e ele levou um susto quando ela abriu.
Seus olhos negros e cabelos negros o enfeitiçaram. Ele nunca tinha percebido tanto quanto naquele momento o quanto Beatrice tinha um formato de rosto tão atraente.
__ Ah, oi... é você, né... como descobriu meu apartamento?
Bea coçou a cabeça, encostou o braço no batente e cruzou os pernas. Ela estava se sentindo desconfortável que nem da vez no hospital.
Cássio se lembrou do motivo de estar ali e começou a chorar.
__ Você... poderia... ir... no enterro... da minha... mãe? __ perguntou Cássio entre soluços enquanto limpava as lágrimas que caiam de seus olhos.
Ele não queria parecer infantil, mas nada que ele quisesse estava acontecendo na sua vida. Ele tentou parar de chorar e soluçar.
Ela continuou sem palavras, espantada e abismada. Boquiaberta em frente a Cássio.
__ Por... por que eu?
Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Letícia, a babaca feminista
Primeira Temporada - episódio 6
Era quarta-feira. Beatrice estava indo para a escola quando seu telefone toca. Era de sua casa.
__ Fala, bastardo __ ela atende o telefone irritada correndo na rua para atravessá-la antes que o sinal fechasse.
__ Você esqueceu seu absorvente.
Beatrice grunhiu. Aquele perturbado só tinha a ligado para dizer isso?
__ Não preciso. Tchau.
Ela desligou o telefone.
Isso era verdade. Ela não menstruava a uns cinco meses. Não se preocupou pois nunca havia transado com Samuel. Mas pensando assim, cinco meses batia com a sua última vez com Heitor. Ele foi embora em novembro do ano passado e já era abril.
Assim que chegou na escola ela correu para o banheiro. Ficou lá, sentada no vaso. Apoiou a cabeça na mão e os cotovelos nos joelhos.
Ela teria que ir no ginecologista ainda hoje. Correr para o hospital e ver logo o que tinha de errado com ela.
Olhou rápido em volta e viu que tinha alguns papéis pendurados novos.
Na sua escola quem escrevia nas portas não era o único multado e obrigado a esfregá-las. Todas as meninas, ou meninos, tinham que fazer o trabalho sujo.
A cabine onde ela estava era repleta de papéis que depois as serventes tiravam.
Uma lágrima caiu de seus olhos e quando ela virou para pegar umas folhas de papel para limpar o rosto, ela acabou lendo o papel em cima do porta papel higiênico.
"Beatrice é o homem da relação."
O papel era rosa, escrito com caneta com glitter roxa.
Beatrice sentiu o calor do ódio ferver o seu rosto. Se levantou correndo do vaso ainda fechado e escancarou a porta, quebrando a fechadura.
Com pisadas fortes no chão ela seguiu para sua sala de aula e escancarou a porta. A turma toda se assustou. Eles já estavam no final do primeiro tempo. Beatrice sempre chegava atrasada.
Ela seguiu em direção a carteira de Letícia, que era uma das primeiras carteiras. Bateu com força o punho na mesa, nem ligando para o professor que estava na sala de aula.
Letícia se assustou mas logo depois cruzou os braços e deu um sorrisinho de meia tigela, olhando o papel rosa na mão de Beatrice.
__ Rômulo disse pra mim que foi você que chegou nele, e não o contrário.
__ O que você tem a ver com isso, garota? Se mete na sua vida! E se ele ainda fala de mim, é por que ele ainda gosta de mim! Se manca!
Beatrice olhou para trás e viu o professor de braços cruzados, ainda perplexo com o acontecimento.
__ Desculpa, professor __ disse Beatrice com cara de nojo.
Ela seguiu em direção a sua carteira do lado de Cássio e se sentou sorrindo falsamente para ele, o deixando envergonhado.
As aulas passaram rápido e assim que bateu o sinal Cássio correu para fora da sala. Beatrice pensou que fosse para não cruzar com ela novamente, mas ontem ele nem tinha corrido, deveria ser outra coisa.
Assim que Cássio chegou no hospital ele foi direto para o quarto de sua mãe.
Ela estava deitada lá, com o aspecto muito cansado, dormindo e com alguns fios ligados ao seu corpo.
Seu primeiro dia de tratamento não tinha dado muito bem...
Cássio olhou rápido para trás e viu o doutor.
__ Doutor, doutor! __ ele gritou correndo atrás do doutor Furlanetto.
O doutor Furlanetto virou-se e sorriu, ainda segurando a prancheta que iria entregar para uma enfermeira. Ele disse enquanto ajeitava o estetoscópio no pescoço:
__ Ah, sim, você é o filho da senhora Brumma, não é?
__ Sim, sou eu.
__ Ela vai ter que ficar aqui, tudo bem? Sobre minhas fiscalizações.
__ Tudo... tudo bem, sim. Claro, é até melhor, não é?
__ Sim, isso ai.
De repente Cássio olha para trás e vê a menina com quem Beatrice tinha discutido na aula de matemática 2.
O doutor também olha e sorri.
__ Filha, você deve conhecer o...
__ Cássio __ respondeu Cássio, percebendo que o doutor não lembrava o seu nome __ Sim, nos conhecemos. Estudamos na mesma sala.
O doutor Furlanetto abraçou a Letícia e ela sorriu ao ver Cássio.
__ Oi, Cássio. Não nos falamos muito, mas oi.
Ela sorriu friamente depois. Não seriam grandes amigos, pelo menos era isso o que Cássio pensava.
__ Oi.
Cássio também tentou ser frio.
Letícia tentou se descolar do abraço do pai e quando ela ia continuar andando pelo corredor ela deu de cara com Beatrice.
Cássio olhou para trás e a viu também.
Beatrice meio envergonhada tentou cruzar os braços mas depois desistiu e colocou as mãos na cintura.
__ Você não pode tentar me expulsar do hospital também, Letícia. Nem da escola, nem das ruas por onde você passa e muito menos das baladas que seu namoradinho frequenta sem você. Ops, escapoliu __ Beatrice disse olhando diretamente nos olhos de Letícia.
__ Eu sempre vou nas baladas com Rômulo, ele nunca vai sem mim!
Letícia saiu correndo sem rumo pelo corredor.
Beatrice sorriu e seguiu seu rumo.
Cássio ficou parado perplexo e olhou de novo, virando-se, para o doutor Furlanetto.
__ Elas nunca brigaram antes, na verdade, se odiavam tanto que nem se olhavam, muito menos se falavam, mas foi só minha filha começar a namorar o Rômulo que elas começaram a ter coisas em comum.
Cássio começou a entender um pouco e então voltou para o quarto de sua mãe.
Era quarta-feira. Beatrice estava indo para a escola quando seu telefone toca. Era de sua casa.
__ Fala, bastardo __ ela atende o telefone irritada correndo na rua para atravessá-la antes que o sinal fechasse.
__ Você esqueceu seu absorvente.
Beatrice grunhiu. Aquele perturbado só tinha a ligado para dizer isso?
__ Não preciso. Tchau.
Ela desligou o telefone.
Isso era verdade. Ela não menstruava a uns cinco meses. Não se preocupou pois nunca havia transado com Samuel. Mas pensando assim, cinco meses batia com a sua última vez com Heitor. Ele foi embora em novembro do ano passado e já era abril.
Assim que chegou na escola ela correu para o banheiro. Ficou lá, sentada no vaso. Apoiou a cabeça na mão e os cotovelos nos joelhos.
Ela teria que ir no ginecologista ainda hoje. Correr para o hospital e ver logo o que tinha de errado com ela.
Olhou rápido em volta e viu que tinha alguns papéis pendurados novos.
Na sua escola quem escrevia nas portas não era o único multado e obrigado a esfregá-las. Todas as meninas, ou meninos, tinham que fazer o trabalho sujo.
A cabine onde ela estava era repleta de papéis que depois as serventes tiravam.
Uma lágrima caiu de seus olhos e quando ela virou para pegar umas folhas de papel para limpar o rosto, ela acabou lendo o papel em cima do porta papel higiênico.
"Beatrice é o homem da relação."
O papel era rosa, escrito com caneta com glitter roxa.
Beatrice sentiu o calor do ódio ferver o seu rosto. Se levantou correndo do vaso ainda fechado e escancarou a porta, quebrando a fechadura.
Com pisadas fortes no chão ela seguiu para sua sala de aula e escancarou a porta. A turma toda se assustou. Eles já estavam no final do primeiro tempo. Beatrice sempre chegava atrasada.
Ela seguiu em direção a carteira de Letícia, que era uma das primeiras carteiras. Bateu com força o punho na mesa, nem ligando para o professor que estava na sala de aula.
Letícia se assustou mas logo depois cruzou os braços e deu um sorrisinho de meia tigela, olhando o papel rosa na mão de Beatrice.
__ Rômulo disse pra mim que foi você que chegou nele, e não o contrário.
__ O que você tem a ver com isso, garota? Se mete na sua vida! E se ele ainda fala de mim, é por que ele ainda gosta de mim! Se manca!
Beatrice olhou para trás e viu o professor de braços cruzados, ainda perplexo com o acontecimento.
__ Desculpa, professor __ disse Beatrice com cara de nojo.
Ela seguiu em direção a sua carteira do lado de Cássio e se sentou sorrindo falsamente para ele, o deixando envergonhado.
As aulas passaram rápido e assim que bateu o sinal Cássio correu para fora da sala. Beatrice pensou que fosse para não cruzar com ela novamente, mas ontem ele nem tinha corrido, deveria ser outra coisa.
Assim que Cássio chegou no hospital ele foi direto para o quarto de sua mãe.
Ela estava deitada lá, com o aspecto muito cansado, dormindo e com alguns fios ligados ao seu corpo.
Seu primeiro dia de tratamento não tinha dado muito bem...
Cássio olhou rápido para trás e viu o doutor.
__ Doutor, doutor! __ ele gritou correndo atrás do doutor Furlanetto.
O doutor Furlanetto virou-se e sorriu, ainda segurando a prancheta que iria entregar para uma enfermeira. Ele disse enquanto ajeitava o estetoscópio no pescoço:
__ Ah, sim, você é o filho da senhora Brumma, não é?
__ Sim, sou eu.
__ Ela vai ter que ficar aqui, tudo bem? Sobre minhas fiscalizações.
__ Tudo... tudo bem, sim. Claro, é até melhor, não é?
__ Sim, isso ai.
De repente Cássio olha para trás e vê a menina com quem Beatrice tinha discutido na aula de matemática 2.
O doutor também olha e sorri.
__ Filha, você deve conhecer o...
__ Cássio __ respondeu Cássio, percebendo que o doutor não lembrava o seu nome __ Sim, nos conhecemos. Estudamos na mesma sala.
O doutor Furlanetto abraçou a Letícia e ela sorriu ao ver Cássio.
__ Oi, Cássio. Não nos falamos muito, mas oi.
Ela sorriu friamente depois. Não seriam grandes amigos, pelo menos era isso o que Cássio pensava.
__ Oi.
Cássio também tentou ser frio.
Letícia tentou se descolar do abraço do pai e quando ela ia continuar andando pelo corredor ela deu de cara com Beatrice.
Cássio olhou para trás e a viu também.
Beatrice meio envergonhada tentou cruzar os braços mas depois desistiu e colocou as mãos na cintura.
__ Você não pode tentar me expulsar do hospital também, Letícia. Nem da escola, nem das ruas por onde você passa e muito menos das baladas que seu namoradinho frequenta sem você. Ops, escapoliu __ Beatrice disse olhando diretamente nos olhos de Letícia.
__ Eu sempre vou nas baladas com Rômulo, ele nunca vai sem mim!
Letícia saiu correndo sem rumo pelo corredor.
Beatrice sorriu e seguiu seu rumo.
Cássio ficou parado perplexo e olhou de novo, virando-se, para o doutor Furlanetto.
__ Elas nunca brigaram antes, na verdade, se odiavam tanto que nem se olhavam, muito menos se falavam, mas foi só minha filha começar a namorar o Rômulo que elas começaram a ter coisas em comum.
Cássio começou a entender um pouco e então voltou para o quarto de sua mãe.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Normal passar o recreio sozinho
Primeira Temporada - episódio 5
Não havia nada mais sem graça que primeiro dia de aula. Os antigos amigos rindo e conversando sobre seus finais de semana perfeitos, os tímidos no canto na frente da sala já começando a se prepararem para começar a estudar e Cássio, o garoto não tímido, mas que ficava sozinho no fim da sala remoendo seus pensamentos em voltar logo para casa para cuidar de sua mãe doente e rezando nos horários vagos.
Não havia nada mais sem graça que primeiro dia de aula. Os antigos amigos rindo e conversando sobre seus finais de semana perfeitos, os tímidos no canto na frente da sala já começando a se prepararem para começar a estudar e Cássio, o garoto não tímido, mas que ficava sozinho no fim da sala remoendo seus pensamentos em voltar logo para casa para cuidar de sua mãe doente e rezando nos horários vagos.
Cássio pensava ser o único solitário. Até a aula começar.
__ Bom dia, alunos queridos. Como foram os finais de semana de vocês? Aproveitaram bastante?
Naquele momento, enquanto a professora que parecia ser a mais querida dos alunos pronunciava palavras gentis entrava pela porta da sala, já encostada pela professora, Beatrice.
Com um olhar árduo, Beatrice procurou um lugar para se sentar, e para infortúnio de Cássio, ela se sentou ao seu lado, no fundo da sala.
Eles passaram boas aulas se entreolhando assustados. Beatrice parecia odiar todos os professores que entravam. Ela os odiava mesmo. E eles a odiavam também.
Cássio ficou olhando distraído num intervalo para Beatrice, resolvendo assim chamá-la de vampira.
As cores que se contrastavam de seus cabelos negros e de seu batom vermelho carmesim na boca. Uma bela vampira de filmes antigos. Bela? Ok, vamos deixar o bela de lado. Mas ela era bela, porém estranha também.
Ele sabia que Beatrice, a garota vampira, de acordo com ele, também não conversava com ninguém, mas ele não a considerava uma pessoa que merecesse amizades.
No recreio, Cássio tentou puxar papo com Gabriel, um sacerdote da igreja em que ele estava "alojado", mas Gabriel já tinha seus amigos e nem deu muito interesse a Cássio.
Cássio foi lanchar sozinho, no canto próximo do jardim das freiras da escola.
Foi só ver Beatrice passar na sua frente que ele estremeceu.
Como? Como meu Deus? Como deixaram uma vampirinha do inferno como essa estudar nessa escola tão católica e conhecida como esta?
Frustrado, Cássio continuou a comer seu sanduíche de pão de forma com patê de frango sozinho, isolado, no fundo da escola.
Logo que bateu o sinal, Cássio correu para a sala.
Não havia motivo para a correria, mas era melhor ele chegar logo antes que cruzasse sozinho com Beatrice no meio do corredor e se espremessem juntos para entrar na sala.
Isso seria pavoroso. Beatrice para Cássio era mais do que uma vampirinha do inferno ou um monstro.
Ela era uma tentação.
Não uma tentação sexual ou de blá, blá, blá, afinal, ele só a conhecia a duas horas ou três! Era mais uma tentação do inferno sobre ele. E ele não tinha muitas boas experiências com essas tentações...
Ele era vulnerável.
Ainda é.
Acreditava em qualquer um, em qualquer palavra doce, mesmo que falsa. Ele era um bebê adulto e ingênuo.
Num sábado qualquer, na frente da igreja na qual era sacerdote na Roma, Cássio estava perambulando, sem rumo, após ser enganado.
Uma garota, a primeira garota. A primeira! O enganou, o levou para o mal caminho e agora ele estava à beira do abismo, sem saber como pôde confiar nela.
Por isso ele fugia de qualquer garota que parecesse "errada". E Beatrice com toda certeza era a errada. A mais errada de todas. Principalmente para Cássio.
Eles se entreolharam mais um pouco durante as últimas aulas até o sinal tocar.
Cássio não sabia se corria para ser o primeiro a sair da sala e não cruzar com Beatrice ou se ele esperaria até ela sair.
Para ele, cruzar com ela seria como se ele tivesse um minuto no inferno de graça.
Todos já haviam saído da sala até só ficarem eles dois lá dentro.
Beatrice paralisou ao perceber o aluno novo parado a olhando aterrorizado já com a mochila nas costas. Pensou bem até perceber uma pulseira com uma cruz no braço de Cássio.
Ah, não, mas um religioso nessa escola religiosa. Amante de Deus, do céu, que acredita em todas essas baboseiras, pensou Beatrice.
__ Vai ficar mesmo me olhando assim, novato? __ ela parou de braços cruzados na frente de Cássio. Sua mochila pendurada em um só de seus braços flácidos.
Ele não fez nada além de arregalar os olhos e pensar: Era melhor eu ter saído antes. Burro, burro, burro. Você mesmo se pôs a ter esse encontro horripilante com ela.
__ Bu! __ gritou Beatrice fazendo Cássio, distraído em seus pensamentos arregalar ainda mais os olhos e dar um passo atrás e tropeçar na cadeira.
__ Bem feito, quem mandou ficar me espionando no final da aula.
Beatrice deu de ombros e saiu da sala.
Cássio respirou fundo e logo após Beatrice passar pela porta ele também passou, atrás dela.
__ Vai me seguir?
__ Não, eu só sai da sala atrás de você, algum problema?
Agora quem ficou surpresa foi Beatrice. Ela cruzou os braços novamente e fez cara de desinteressada, mas na verdade ela gostou da atitude de Cássio.
Quando ela viu Samuel na moto do outro lado do portão ela saiu correndo da vergonha que tinha passado e subiu correndo na garoupa da moto dele e mandou-o acelerar.
Chegando no quartinho dele e de sua mãe, Cássio a vê acordada, de cara bruta olhando fixamente nos olhos dele.
Na noite passada Cássio não fora buscar a sua mãe. Ele foi ao quarto do padre Fernando e lhe deu o dinheiro dizendo: Vá buscar minha mãe, eu simplesmente não consigo.
Então quando o padre Fernando chegou com sua mãe ele estava dormindo.
Ainda deitada na cama, a senhora Brumma começa a brigar com ele.
__ Eu confiei em você, Cássio!
Ele largou a mochila ao pé de sua cama e se sentou lá, virado para a sua mãe que com todas as forças tentava se levantar.
__ Desculpa mãe, mas depois de tudo aquilo que você me disse eu realmente não me senti bem...
Quando ela finalmente sentou, seus olhos se arregalaram e ela se pôs a chorar.
Um destruiu o outro. Cada um do seu jeito.
__ Bom dia, alunos queridos. Como foram os finais de semana de vocês? Aproveitaram bastante?
Naquele momento, enquanto a professora que parecia ser a mais querida dos alunos pronunciava palavras gentis entrava pela porta da sala, já encostada pela professora, Beatrice.
Com um olhar árduo, Beatrice procurou um lugar para se sentar, e para infortúnio de Cássio, ela se sentou ao seu lado, no fundo da sala.
Eles passaram boas aulas se entreolhando assustados. Beatrice parecia odiar todos os professores que entravam. Ela os odiava mesmo. E eles a odiavam também.
Cássio ficou olhando distraído num intervalo para Beatrice, resolvendo assim chamá-la de vampira.
As cores que se contrastavam de seus cabelos negros e de seu batom vermelho carmesim na boca. Uma bela vampira de filmes antigos. Bela? Ok, vamos deixar o bela de lado. Mas ela era bela, porém estranha também.
Ele sabia que Beatrice, a garota vampira, de acordo com ele, também não conversava com ninguém, mas ele não a considerava uma pessoa que merecesse amizades.
No recreio, Cássio tentou puxar papo com Gabriel, um sacerdote da igreja em que ele estava "alojado", mas Gabriel já tinha seus amigos e nem deu muito interesse a Cássio.
Cássio foi lanchar sozinho, no canto próximo do jardim das freiras da escola.
Foi só ver Beatrice passar na sua frente que ele estremeceu.
Como? Como meu Deus? Como deixaram uma vampirinha do inferno como essa estudar nessa escola tão católica e conhecida como esta?
Frustrado, Cássio continuou a comer seu sanduíche de pão de forma com patê de frango sozinho, isolado, no fundo da escola.
Logo que bateu o sinal, Cássio correu para a sala.
Não havia motivo para a correria, mas era melhor ele chegar logo antes que cruzasse sozinho com Beatrice no meio do corredor e se espremessem juntos para entrar na sala.
Isso seria pavoroso. Beatrice para Cássio era mais do que uma vampirinha do inferno ou um monstro.
Ela era uma tentação.
Não uma tentação sexual ou de blá, blá, blá, afinal, ele só a conhecia a duas horas ou três! Era mais uma tentação do inferno sobre ele. E ele não tinha muitas boas experiências com essas tentações...
Ele era vulnerável.
Ainda é.
Acreditava em qualquer um, em qualquer palavra doce, mesmo que falsa. Ele era um bebê adulto e ingênuo.
Num sábado qualquer, na frente da igreja na qual era sacerdote na Roma, Cássio estava perambulando, sem rumo, após ser enganado.
Uma garota, a primeira garota. A primeira! O enganou, o levou para o mal caminho e agora ele estava à beira do abismo, sem saber como pôde confiar nela.
Por isso ele fugia de qualquer garota que parecesse "errada". E Beatrice com toda certeza era a errada. A mais errada de todas. Principalmente para Cássio.
Eles se entreolharam mais um pouco durante as últimas aulas até o sinal tocar.
Cássio não sabia se corria para ser o primeiro a sair da sala e não cruzar com Beatrice ou se ele esperaria até ela sair.
Para ele, cruzar com ela seria como se ele tivesse um minuto no inferno de graça.
Todos já haviam saído da sala até só ficarem eles dois lá dentro.
Beatrice paralisou ao perceber o aluno novo parado a olhando aterrorizado já com a mochila nas costas. Pensou bem até perceber uma pulseira com uma cruz no braço de Cássio.
Ah, não, mas um religioso nessa escola religiosa. Amante de Deus, do céu, que acredita em todas essas baboseiras, pensou Beatrice.
__ Vai ficar mesmo me olhando assim, novato? __ ela parou de braços cruzados na frente de Cássio. Sua mochila pendurada em um só de seus braços flácidos.
Ele não fez nada além de arregalar os olhos e pensar: Era melhor eu ter saído antes. Burro, burro, burro. Você mesmo se pôs a ter esse encontro horripilante com ela.
__ Bu! __ gritou Beatrice fazendo Cássio, distraído em seus pensamentos arregalar ainda mais os olhos e dar um passo atrás e tropeçar na cadeira.
__ Bem feito, quem mandou ficar me espionando no final da aula.
Beatrice deu de ombros e saiu da sala.
Cássio respirou fundo e logo após Beatrice passar pela porta ele também passou, atrás dela.
__ Vai me seguir?
__ Não, eu só sai da sala atrás de você, algum problema?
Agora quem ficou surpresa foi Beatrice. Ela cruzou os braços novamente e fez cara de desinteressada, mas na verdade ela gostou da atitude de Cássio.
Quando ela viu Samuel na moto do outro lado do portão ela saiu correndo da vergonha que tinha passado e subiu correndo na garoupa da moto dele e mandou-o acelerar.
Chegando no quartinho dele e de sua mãe, Cássio a vê acordada, de cara bruta olhando fixamente nos olhos dele.
Na noite passada Cássio não fora buscar a sua mãe. Ele foi ao quarto do padre Fernando e lhe deu o dinheiro dizendo: Vá buscar minha mãe, eu simplesmente não consigo.
Então quando o padre Fernando chegou com sua mãe ele estava dormindo.
Ainda deitada na cama, a senhora Brumma começa a brigar com ele.
__ Eu confiei em você, Cássio!
Ele largou a mochila ao pé de sua cama e se sentou lá, virado para a sua mãe que com todas as forças tentava se levantar.
__ Desculpa mãe, mas depois de tudo aquilo que você me disse eu realmente não me senti bem...
Quando ela finalmente sentou, seus olhos se arregalaram e ela se pôs a chorar.
Um destruiu o outro. Cada um do seu jeito.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Finais de domingo tumultuados
Primeira Temporada - episódio 4
__ Você por acaso a beijou? Você não devia! Isso eu não posso desfazer de jeito nenhum! __ madame Soprano gritava tentando fazer silêncio para a filha não ouvir. Era difícil...
__ Não, eu não a beijei! Mas... tá difícil... Madame Soprano, eu acho que seu feitiço não está mais funcionando. Quando eu olho naqueles olhos negros...
__ Obrigada por me avisar! Preciso urgente preparar outra poção. Já foi para casa? Se sim volte correndo. Preciso preparar um pra te proteger e o de Beatrice.
__ Não, não fui para casa ainda... to aqui embaixo. Vem logo que eu já estou abrindo o portão.
__ Estou indo.
Madame Soprano deixou a filha aos berros tentando pegar o brinquedo da mão de Tales e desceu as escadas correndo sem nem se explicar.
Beatrice nem se preocupou e até meio que se sentiu melhor sozinha.
Ao atravessar a rua, madame Soprano teve uma visão. Era uma garota... uma garota... uma garota voltando. Voltando para Senilla. E em busca de Beatrice.
O coração de madame Soprano se apertou. Joana não a poderia levá-la antes do tempo.
__ Eu vou ter que preparar três feitiços. Um para você se proteger e não ter mais desejos por Beatrice. Outro para afastar Joana para que ela não volte antes do tempo e o de Beatrice.
Caterina chegou atarefada e falando tudo que precisava em seu espaço de trabalho. Entrou agachada por causa dos lenços pendurados e logo que deu de cara com Bernardo começou a pedir os ingredientes.
__ Orégano, que atrasa o tempo...
__ Espera! Quanto tempo ela tem antes de Joana vir? __ Bernardo não deixou Caterina terminar.
__ Não sei... minha visão foi meio turva... acho que só temos um ano. O que significa que é muito pouco tempo.
__ É,... eu sei que um ano é pouco tempo.
Bernardo a passou o orégano e ela continuou a lhe pedir ingredientes.
Cássio já não aguentava mais ficar virado para a parede, deitado na cama e jogando sua bolinha quica.
Sua mãe estava demorando demais, e pelo o que ele pensava, ela seria a única a ser consultada. Será que já iriam começar os tratamentos? Será que ela... Não, melhor esquecer.
Ele continuou ali, tentando não se preocupar. Mas quando seu celular vibrou no seu bolso ele deu um pulo, sentou na cama correndo e atendeu.
__ Alô.
Sua voz estava ofegante.
__ Amor, venha me buscar, meu dinheiro está embaixo do travesseiro. Pegue um táxi.
__ Você... você está bem?
Ela demorou um pouco a responder, o que o deixou com medo, muito medo.
__ Eu tomei um remédio que me deixou sonolenta, mas além disso eu estou bem.
Um alívio tomou conta tanto da face de Cássio, quanto de seu coração.
__ Eu... eu vou chamar o padre Fernando pra ir comigo, ok?
Ela inspirou fundo do outro lado da linha.
__ Eu não quero que ele me veja nessa situação, não quero que ninguém me veja assim, nem você... mas o que eu posso fazer? __ ele podia ouvi-la soluçar do outro lado __ Você é quase obrigado, Cassinho. Agora eu percebo que ter você não foi realmente um milagre de Deus. Nós,... nós sofremos muito juntos. Minhas doenças não afetaram só a mim. Cássio, me ouça, eu te amo muito, mas vou ter que te deixar cedo, tenha consciência disso. Eu não verei você se formar, se casar, me dar netos lindos... nada, eu não verei nada, infelizmente.
Ela chorou, muito. Parecia que Cássio até podia sentir as gotas caindo do rosto dela e escorrendo até o queixo.
Ele também chorou, não tinha como segurar. Quando ele viu que a doença de sua mãe chegou a ponto de ter que fazer um tratamento forte ele soube que ela não duraria muito.
Cássio não aguentou falar mais nada. Parecia que sua voz havia congelado na garganta. Lhe faltou tudo: voz, choro, ação e amor.
Ele estava em estado de choque. Não sabia o que fazer, como agir, como lidar com aquilo.
Perdeu a casa, não tinha teto, só a mãe. Um bem tão valioso mas que só duraria mais... um ano? Pensando com certa positividade excessiva.
Ele se cegou. De algum modo e com alguma razão ele queria se isolar. Não queria ir nem buscar a mãe. Preferia dormir até tudo isso acabar.
Um vento frio soprou pelo seu braço e a única coisa que ele conseguiu dizer sozinho no quarto foi:
__ Elas me afetaram também. Muito, mãe.
Após horas preparando poções, Bernardo e Caterina saíram do "depósito" onde Caterina trabalhava e se despediram.
__ Eu vou tomar isso assim que chegar em casa. Valeu, madame Soprano.
__ Tome tudo e depois faça o que eu te falei. Mas não se esqueça: tem que fazer exatamente como eu falei, senão não funciona, irá falhar.
Caterina chegou em casa exausta, eram quase seis horas e o dia praticamente não acabava nunca.
Beatrice ao ver a mãe chegar aproveitou para ligar para Samuel e combinarem de ir no beco para ela relaxar um pouco.
Passar o dia inteiro cuidando do irmão não parecia uma coisa muito legal.
Após uma hora depois de ligar para Samuel, ele chega de moto lá embaixo e força o motor. Esse era o jeito dele de dizer que chegou.
Beatrice desceu os três andares correndo. Chegou, deu um beijo na bochecha de Samuel, subiu na garoupa da moto e eles partiram.
Chegaram no beco de mãos dadas, ela encostando a cabeça em seu ombro, ele cumprimentando os amigos até de repente Beatrice relembrar de Heitor, a levando na sua primeira vez naquele beco...
Ele nunca deixaria seus pensamentos, seu coração...
Ela jamais o esqueceria. Seu segundo e intenso amor.
__ Você por acaso a beijou? Você não devia! Isso eu não posso desfazer de jeito nenhum! __ madame Soprano gritava tentando fazer silêncio para a filha não ouvir. Era difícil...
__ Não, eu não a beijei! Mas... tá difícil... Madame Soprano, eu acho que seu feitiço não está mais funcionando. Quando eu olho naqueles olhos negros...
__ Obrigada por me avisar! Preciso urgente preparar outra poção. Já foi para casa? Se sim volte correndo. Preciso preparar um pra te proteger e o de Beatrice.
__ Não, não fui para casa ainda... to aqui embaixo. Vem logo que eu já estou abrindo o portão.
__ Estou indo.
Madame Soprano deixou a filha aos berros tentando pegar o brinquedo da mão de Tales e desceu as escadas correndo sem nem se explicar.
Beatrice nem se preocupou e até meio que se sentiu melhor sozinha.
Ao atravessar a rua, madame Soprano teve uma visão. Era uma garota... uma garota... uma garota voltando. Voltando para Senilla. E em busca de Beatrice.
O coração de madame Soprano se apertou. Joana não a poderia levá-la antes do tempo.
__ Eu vou ter que preparar três feitiços. Um para você se proteger e não ter mais desejos por Beatrice. Outro para afastar Joana para que ela não volte antes do tempo e o de Beatrice.
Caterina chegou atarefada e falando tudo que precisava em seu espaço de trabalho. Entrou agachada por causa dos lenços pendurados e logo que deu de cara com Bernardo começou a pedir os ingredientes.
__ Orégano, que atrasa o tempo...
__ Espera! Quanto tempo ela tem antes de Joana vir? __ Bernardo não deixou Caterina terminar.
__ Não sei... minha visão foi meio turva... acho que só temos um ano. O que significa que é muito pouco tempo.
__ É,... eu sei que um ano é pouco tempo.
Bernardo a passou o orégano e ela continuou a lhe pedir ingredientes.
Cássio já não aguentava mais ficar virado para a parede, deitado na cama e jogando sua bolinha quica.
Sua mãe estava demorando demais, e pelo o que ele pensava, ela seria a única a ser consultada. Será que já iriam começar os tratamentos? Será que ela... Não, melhor esquecer.
Ele continuou ali, tentando não se preocupar. Mas quando seu celular vibrou no seu bolso ele deu um pulo, sentou na cama correndo e atendeu.
__ Alô.
Sua voz estava ofegante.
__ Amor, venha me buscar, meu dinheiro está embaixo do travesseiro. Pegue um táxi.
__ Você... você está bem?
Ela demorou um pouco a responder, o que o deixou com medo, muito medo.
__ Eu tomei um remédio que me deixou sonolenta, mas além disso eu estou bem.
Um alívio tomou conta tanto da face de Cássio, quanto de seu coração.
__ Eu... eu vou chamar o padre Fernando pra ir comigo, ok?
Ela inspirou fundo do outro lado da linha.
__ Eu não quero que ele me veja nessa situação, não quero que ninguém me veja assim, nem você... mas o que eu posso fazer? __ ele podia ouvi-la soluçar do outro lado __ Você é quase obrigado, Cassinho. Agora eu percebo que ter você não foi realmente um milagre de Deus. Nós,... nós sofremos muito juntos. Minhas doenças não afetaram só a mim. Cássio, me ouça, eu te amo muito, mas vou ter que te deixar cedo, tenha consciência disso. Eu não verei você se formar, se casar, me dar netos lindos... nada, eu não verei nada, infelizmente.
Ela chorou, muito. Parecia que Cássio até podia sentir as gotas caindo do rosto dela e escorrendo até o queixo.
Ele também chorou, não tinha como segurar. Quando ele viu que a doença de sua mãe chegou a ponto de ter que fazer um tratamento forte ele soube que ela não duraria muito.
Cássio não aguentou falar mais nada. Parecia que sua voz havia congelado na garganta. Lhe faltou tudo: voz, choro, ação e amor.
Ele estava em estado de choque. Não sabia o que fazer, como agir, como lidar com aquilo.
Perdeu a casa, não tinha teto, só a mãe. Um bem tão valioso mas que só duraria mais... um ano? Pensando com certa positividade excessiva.
Ele se cegou. De algum modo e com alguma razão ele queria se isolar. Não queria ir nem buscar a mãe. Preferia dormir até tudo isso acabar.
Um vento frio soprou pelo seu braço e a única coisa que ele conseguiu dizer sozinho no quarto foi:
__ Elas me afetaram também. Muito, mãe.
Após horas preparando poções, Bernardo e Caterina saíram do "depósito" onde Caterina trabalhava e se despediram.
__ Eu vou tomar isso assim que chegar em casa. Valeu, madame Soprano.
__ Tome tudo e depois faça o que eu te falei. Mas não se esqueça: tem que fazer exatamente como eu falei, senão não funciona, irá falhar.
Caterina chegou em casa exausta, eram quase seis horas e o dia praticamente não acabava nunca.
Beatrice ao ver a mãe chegar aproveitou para ligar para Samuel e combinarem de ir no beco para ela relaxar um pouco.
Passar o dia inteiro cuidando do irmão não parecia uma coisa muito legal.
Após uma hora depois de ligar para Samuel, ele chega de moto lá embaixo e força o motor. Esse era o jeito dele de dizer que chegou.
Beatrice desceu os três andares correndo. Chegou, deu um beijo na bochecha de Samuel, subiu na garoupa da moto e eles partiram.
Chegaram no beco de mãos dadas, ela encostando a cabeça em seu ombro, ele cumprimentando os amigos até de repente Beatrice relembrar de Heitor, a levando na sua primeira vez naquele beco...
Ele nunca deixaria seus pensamentos, seu coração...
Ela jamais o esqueceria. Seu segundo e intenso amor.
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