Sinopse

A história se passa numa cidadezinha da Itália, chamada Senilla. Uma cidade presa entre montanhas e o mar, com nenhuma ligação com outra cidade, a não ser andando três horas inteiras de carro ou navio. Lá, encontra-se o melhor hospital da Itália para o tratamento de doenças raras, chamada Síndrome de Turner e Síndrome de Noonan. E é com a viagem de Cássio e sua mãe para lá, em busca de um tratamento, que se inicia a história emocionante de O sacerdote.


domingo, 9 de dezembro de 2012

Nome simples para um lugar sensacional

Primeira Temporada - episódio 2

    Era domingo. Cássio acordou devagarinho, olhou em volta e levou um susto. Ele havia dormido nos degraus da igreja que levavam até o altar.
    Olhou o relógio e deu um pulo para seguir em fuga até seu quarto. Eram exatamente cinco e meia e como o padre havia o falado a poucas horas sobre a missa das seis horas da manhã... com certeza começariam a arrumá-la mais ou menos essa hora.
    Perto do corredor, Cássio, enquanto corria distraído, nem percebe a presença do padre Ícaro, um padre conservador e católico fervoroso que passava levando a âmbula nas duas mãos e com a sua túnica quase arrastando no chão.
    Infelizmente, para rejeição de Cássio por toda a igreja, ele pisa na túnica do padre Ícaro, fazendo-o deixar cair toda a hóstia que havia dentro da âmbula.
    Padre Ícaro olha raivosamente para Cássio, percebendo bem nas suas olheiras gigantescas, no seu cabelo bagunçado, nas suas roupas lameadas e no seu rosto infeliz, logo depois olhando de volta para o chão e lamentando sofridamente a perda de todas aquelas hóstias.
__ Esse garoto... não deveria estar aqui.
    Cássio engoliu em seco, e, ainda em pé, começou a lamentar também o ocorrido.
__ Não era o padre Fernando que iria fazer a missa das seis?
    Perguntou Cássio enquanto se abaixava para ajudar a catar todas as hóstias perdidas para depois tacá-las, infelizmente, no lixo.
__ Padre Fernando foi os receber ontem de madrugada, ele está dormindo ainda, farei a missa por ele.
__ Ah, sim... __ responde Cássio levantando a cabeça agilmente e logo depois voltando a juntar as hóstias.
    Chega então uma freira, Sílvia, com a vassoura e a pá.
__ Sílvia, deixe o rapaz cumprir seus deveres e aprender a não correr no corredor e vá buscar mais hóstias... __ sem nem deixar Sílvia sair de lá, padre Ícaro continuou __ Ah, leve também a âmbula e limpe-a.
    Cássio achou de certo modo incorreto, freiras não são escravas, mas ele não podia fazer nada além de seu "dever" de acordo com o padre Ícaro.
    Após juntar todas as hóstias em cima da pá, Cássio pode enfim ver o céu pegar uma cor diferente de azul marinho, passou para um cinza médio, podendo ver também um pátio, pelo feixe de vidro que havia em torno de todo o corredor.
    Ele seguiu em direção a uma porta no meio do corredor e que tinha do lado uma lixeira. Tacou todas as hóstias lá dentro e seguiu pelo corredor até chegar ao seu quarto. Viu sua mãe ainda dormindo e então resolveu tomar banho no banheiro de lá mesmo e depois seguir para ver a missa, afinal, ele havia acordado bem cedo, e... pensando bem... ainda bem que ele havia acordado cedo.
                                       
    Após a missa, Cássio saiu da igreja e resolveu ir ver como era a cidade. Saiu com apenas uns trocados no bolso da bermuda jeans para talvez tomar um café com creme e comer um donuts em qualquer cafeteria.
    Ele não foi muito longe. Acabou parando lá perto e tomando um suco de laranja numa padaria e comendo um sanduíche de ciabatta com queijo e goiabada.
    Andando sem rumo pelas ruas, chegando perto da estrada que o levara para lá, Cássio viu uma espécie de trilha, muito perto de uma porção de cangas esticadas no chão repletas de comidas e de gente em volta.
    Ele resolveu subir a trilha.
    Enquanto subia, ele viu um casalzinho aos beijos no meio da trilha. Ela era loira e ele meio moreno... um loiro acinzentado.
    Chegando no final da trilha, Cássio até se emociona com a vista... como a cidade era linda e perfeita dali de cima.
    Lá embaixo estava escrito que o nome daquele local era A pedra.
    Um local tão lindo, tão agradável, tão aconchegante... Novamente... Cássio acabaria gostando de morar lá...
    Ele sentou na ponta da pedra e se deparou sozinho. Começou a tacar pedrinhas e ouvi-las caindo devagarinho de lá de cima.
    Pensou, pensou e pensou sobre a sua vida e sobre seus colegas que deixou para trás até se pegar lembrando do dia em que contou a seu único melhor amigo que iria se mudar.
                                   
__ Alexandre! __ Cássio gritou e esperou que o amigo o ouvisse do outro lado do pátio.
    A escola estava lotada nesse dia pois todos as salas lancharam juntas.
__ Alexandre! Alexandre! Alexandre!
    Cássio ficou sem ar e se apoiou no ombro de um qualquer que nem ligou. Logo depois que ele recuperou o fôlego saiu novamente em disparada atrás do amigo. Eles se perderam na lanchonete da escola pois Cássio tinha ido antes ao banheiro e ficou mais para trás na fila.
    Ao alcançar Alexandre, Cássio apoiou dessa vez as mãos nos joelhos e esperou que Alexandre virasse para trás.
__ Ah, oi Cássio. Tava me chamando?
    Cássio ficou furioso. Levantou a cabeça e cruzou os braços.
__ Se eu estava te chamando?! Eu estava te berrando, Alex! Você ouviu e nem deu bola, né!!
    Alexandre riu e tentou acalmar o amigo,colocando a mão em seu ombro.
__ Fala ai o que te manda.
    Cássio se aproximou do amigo e também colocou a mão em seu ombro.
__ Eu... eu vou me mudar, cara. Pra bem longe.
    Alexandre arregalou os olhos e tirou a mão do ombro do amigo, decepcionado.
__ Quando? __ foi a única coisa que Alexandre consegui pronunciar naquela hora. O tumulto do recreio pareceu até se silenciar.
__ Sábado, agora.
__ Depois de amanhã?!
__ É...
    Cássio estava até se sentindo mal. Ele não queria se mudar de jeito nenhum!
__ Cara... eu... eu vou sentir saudade...
                                 
    De repente Cássio percebe que está ficando tarde, um pouco depois da hora do almoço, então resolve correr para a igreja, sua mãe estaria possessa.
    Chegando lá, ele percebe que sua mãe está arrumando uma bolsa para sair.
__ Onde você estava, Cássio? __ pergunta Alícia ao se virar e ver o filho. A voz fraca, falhando e a aparência cansada.
__ Mãe, eu... eu fui ver a cidade, conhecê-la melhor...
__ Ah, sim. Querido, estou satisfeita, muito obrigada por querer conhecer a cidade. Eu já chamei um táxi. Eu marquei uma consulta hoje. Eu sei que é domingo, mas ele aceitou me consultar e me dar uns remédios para esse meu cansaço.
__ Claro, mãe, é até bom que ele já queira te consultar. Vou ficar aqui tá bom? Quero conhecer melhor os padres, as freiras,... todo mundo, ok?
    Alícia abraçou forte o filho.
__ Eu te amo, Cassinho.
    Cássio poderia bufar, gritar, chorar, mas não, mesmo odiando o apelido, Cássio amava a mãe, e sabia de sua saúde fraca, o melhor era amá-la enquanto ela ainda estivesse viva.
    Ele a retribuiu o abraço.

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