Primeira Temporada - episódio 3
Era domingo e Beatrice estava acordando era umas duas horas da tarde. A balada de ontem com o Samuel não tinha dado um bom resultado.
Assim que ela despertou, levantou correndo da cama e foi ver o que o irmão já havia aprontado.
Felizmente, sua mãe não havia ido trabalhar hoje.
__ Ué, não foi hoje? __ pergunta Bea intrigada. Que droga... não vou aguentar ficar o dia todo na vigia da mamãe, tenho que ligar para o Bernardo ou para o Samuel.
__ Não, hoje não, eu... quero conversar com você.
Bea arregalou os olhos. Ai vem...
__ Ok, então, mas nada de papinho de céu, inferno, anjos, demônios, e toda a turminha. Você sabe que eu acredito que o céu e o inferno estão na terra.
Madame Soprano, como gostava de ser chamada a senhora Caterina, saiu da cozinha e seguiu para a sala, onde Beatrice estava. A cozinha era americana, o que as permitiam conversar de um cômodo ao outro.
__ Bea... tem um pouco disso na conversa, mas é mais sobre a sua irmã.
Ai não... isso Bea não aguentava conversar desde que sua irmã foi embora. Sussurrando e meio que com raiva, Beatrice disse:
__ O que tem ela?
__ Ela? O que tem ela? __ Caterina perguntou com sarcasmo __ Você vai mesmo ir morar com ela?
__ Olha mãe... ela nem terminou os estudos ainda. Eu nem sei... nem sei se ela vai vir mesmo me buscar.
__ Você sabe que ela vai terminar daqui a dois anos. Se ela conseguir um bom estágio ela... ela poderá tirar você de mim antes do tempo.
__ Tempo de que?
Caterina arregalou os olhos. Ela havia falado demais.
__ De... de nada, Bea. Bom, eu acho que acabamos a nossa conversa pro aqui. Se quiser, saia com o seu namorado ou, sei lá, liga para o Bernardo para conversarem na escadaria do prédio só não demore para voltar para casa.
Até parecia que a senhora Soprano se preocupava com a hora em que Beatrice chegava em casa.
__ Ok, ok.
Bea voltou para o seu quarto e ligou para Bernardo.
__ Fala, Bea... O que você quer?
Ele atendeu rápido, mas com voz de sono. Estranho.
__ Tá dormindo? Melhor, estava dormindo?
__ Não, só... só pensei que não fosse me ligar é que... ah, nada, diz ai o que você quer.
__ Estranho, né, mas tudo bem. Eu só queria conversar, sei lá, soltar as coisas que estão entaladas na minha garganta, sabe. Eu penso às vezes de falar tudo para o Samuel só que ele... ele não me conhece tanto quanto você e a Joana.
Bea tremia ao falar ou até mesmo lembrar da irmã.
__ O que mais você tem a me dizer, Bea? Eu já... eu já sei tudo sobre você.
__ Eu sei que você sabe... Eu só queria desabafar um pouco.
__ Ok, to indo para ai. Me espera no portão.
Bea trocou rápido de blusa da vermelho sangue por uma azul marinho e colocou uma saia curta jeans e uma sandália gladiadora preta com spikes.
Ela esperou um tempo... pensando em muitas coisas para contar a Bernardo. Até mesmo o evento quentinho pré-saído do forno.
Ele chegou e ela derreteu. Ela ainda não entendia como podia gostar tanto dele, se nem mesmo haviam se beijado.
Beatrice então começou a filosofar na sua cachola. Ela amava só quem não a queria...
Ele se sentou na escadaria do lado de Beatrice.
__ Eu preferia você sem esses piercings... __ quase que num sussurro Bernardo a confidenciou um desejo.
__ Você era bem mais bonita e tratada antes deles... __ continuou ele fazendo Beatrice se arrepiar. Ela nunca havia imaginado isso.
Beatrice então se calou. Começou a pensar e pensar coisas cada vez mais loucas em sua mente. O quanto aquilo era surpreendente, o quanto aquilo era o que ela sempre esperou ouvir. Bernardo, o primeiro amor de sua vida disse que ela era bonita. Mas, para o desgosto de Beatrice,... ela não era mais.
__ Não adianta ficar no silêncio. Eu não sou que nem a sua mãe para saber o que você está pensando e que não quer dizer.
__ Eu não acredito nessas coisas. Você sabe __ Bea bufou e encostou a cabeça no ombro de Bernardo.
__ Mas elas existem, e eu sei que você nunca acreditou, mas você ficou calada e pensativa ai... o que era?
Nada. Só que eu te amo demais e amei também saber que você me achava bonita.
__ Eu já acreditei sim. Na época em que minha mãe conseguia fazer a minha cabeça. Agora essa época já passou e você sabe muito bem disso.
Bernardo gelou.
__ Tá, mas você vai tirar os piercings?
Dessa vez, quem gelou foi Beatrice. Ela colocou alguns daqueles piercings por causa da falta de complacência de Bernardo. Por causa do amor não correspondido. Uns cinco eram culpa dele. O resto culpa do Heitor... Enfim,... e as marcas nos braços? Também era bem dividida entre os dois, mas sua irmã também a fizera deixar algumas por ali.
__ Vou ficar com marcas...
__ Mas as marcas não vão ser tão eternas quanto as que você carrega nos braços.
Ele levantou um braço de Beatrice e virou o pulso para vê-lo melhor a fazendo ficar nervosa e envergonhada logo o puxando.
__ Viu... e você nem gosta delas. Por que você as faz então? Me diga... eu quero saber.
Houve um brilho no olhar de Beatrice. Ai estava a complacência que ela sempre esperou de Bernardo. A preocupação.
__ Por sua causa. E por causa da minha irmã. E por causa de tudo que me faz se sentir mal.
Ela se levantou e subiu os degraus.
__ Até depois, Bê.
Confiante e decidida, Bea iria partir a procura de outro. Ela era assim. Batava gostar dela ou se preocupar um pouco que ela "fugia", mesmo sabendo que nunca mais amaria outro assim...
Bernardo ficou a ver navios. Ele... ela estava... Não! Ele não podia estar... Mas seu coração estava confuso, como seus pensamentos.
Ele queria tocá-la, beijá-la... Não! Não! Não!
Ele não podia beijá-la... Ele precisava urgentemente conversar com a madame Soprano.
Ligou para ela. Madame Soprano estava tão ocupada tentando acalmar Tales, o irmão mais novo de Be, que quem acabou atendendo o telefone foi Beatrice. Ele ainda estava lá embaixo, sem rumo, precisando de umas palavras inteligentes.
__ Fala... __ Bea nem sabia quem era do outro lado da linha.
__ É... __ Bernardo tentou fazer uma voz um pouco diferente, para Bea não desconfiar de nada __ a madame Soprano está?
Ele pode ouvir Beatrice levando o telefone para a mãe, dizendo: Mãe, cliente, deixa o Tales comigo.
Ela queria mesmo se livrar da vigilância da mãe naquele domingo.
__ Olá, quer um olhar mítico no seu dia?
__ Madame Soprano, sou eu... Bernardo. Precisamos conversar... acho que... estou me apaixonando por Beatrice.
Sinopse
A história se passa numa cidadezinha da Itália, chamada Senilla. Uma cidade presa entre montanhas e o mar, com nenhuma ligação com outra cidade, a não ser andando três horas inteiras de carro ou navio. Lá, encontra-se o melhor hospital da Itália para o tratamento de doenças raras, chamada Síndrome de Turner e Síndrome de Noonan. E é com a viagem de Cássio e sua mãe para lá, em busca de um tratamento, que se inicia a história emocionante de O sacerdote.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
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